domingo, 11 de março de 2012

SEGURANÇA PÚBLICA: COMO FICAM AS ESTATÍSTICAS OFICIAIS?

Na semana que passou, Cabo Frio mais uma vez esteve no noticiário com matérias sobre o avanço da criminalidade. A mídia começa a perceber a necessidade de abrir espaço para a discussão do problema, com objetivo de analisar suas possíveis causas e alternativas de solução. Na sexta-feira, o jornal "O Tempo", de Minas Gerais, publicou artigo sobre este assunto, também de muito interesse da população mineira, que tem em Cabo Frio um dos lugares de preferência para suas viagens ao litoral. Ontem, sábado, foi a vez do jornal "O Globo", que trouxe matéria relatando diversos fatos ocorridos.
Vale a pena ressaltar a declaração de uma das vítimas de assalto sobre o estado da infraestrutura da delegacia de Cabo Frio, quando foi mencionado que o registro da ocorrência teve que ser feito no papel pois lá só havia uma máquina de escrever enferrujada. Assim, fica a pergunta: como fica o nível de credibilidade das estatísticas oficiais, já que a delegacia da cidade não possui sequer um computador em que possa armazenar os dados com segurança? Pode-se confiar nas estatísticas oficiais a partir do momento em que temos uma delegacia que possui uma infraestrutura totalmente arcaica para registro das ocorrências?
Abaixo seguem as matérias em referência:

10/03/2012 - Joalheira já foi assaltada oito vezes, duas delas somente este ano

A dona de uma joalheria em Cabo Frio, Ester Magalhães, arruma a loja: a vitrine foi quebrada por ladrões
A dona de uma joalheria em Cabo Frio, Ester Magalhães, arruma a loja: a vitrine foi quebrada por ladrões
RIO – Não é só Niterói que vive um clima de medo crescente nos últimos meses. Nem uma vitrine com vidro semiblindado na joalheria Lapidare, na Rua Major Belegard, no Centro de Cabo Frio, evitou que dois assaltantes atacassem a loja pela oitava vez desde a sua inauguração. Só este ano, o crime ocorreu duas vezes seguidas: em 14 de fevereiro e no dia 1 deste mês. As marcas dos 11 tiros ainda estão na vitrine e na memória da dona da joalheria, Ester Magalhães, que tem a loja há 12 anos. Como se não bastasse o trauma, a comerciante ainda sofre o assédio de pessoas oferecendo segurança privada nos dias após os roubos.
— Eu não vou ceder. Prefiro fechar a loja, caso a segurança pública não dê conta de dar proteção para mim e meus clientes. Eu pago meus impostos e tenho direito a segurança — disse Ester, que espalhou cartazes anunciando uma liquidação na loja e pretende fazer obras para depois decidir o destino do estabelecimento.
O caso é uma amostra da violência que tem assustado quem vive na cidade. A onda de assaltos e homicídios em Cabo Frio não aparece tão claramente nas estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP), mas moradores apavorados relatam casos. Segundo o ISP, o número de roubos a estabelecimentos comerciais aumentou de quatro, em janeiro de 2011, para sete no mesmo período deste ano. Já o de assaltos a residências cresceu de zero para cinco no mesmo período.
O último roubo na joalheria ocorreu, no dia 1, às 4h25m. Pelas imagens das câmeras, é possível ver dois assaltantes: um com chapéu e outro com uma camisa por cima da cabeça. Inicialmente, eles tentaram quebrar a vitrine, mas não conseguiram. Em seguida, um deles puxou uma pistola e atirou 11 vezes. Irritado pelo fato de as balas não terem atravessado a vitrine, ele decidiu meter o pé no ponto onde havia mais perfurações, abrindo um buraco, por onde retirou produtos expostos, como relógios importados.
Apesar de os dois assaltos terem sido filmados e de os bandidos não usarem luvas, não há qualquer pista deles. No roubo de 14 de fevereiro deste ano, um casal chegou à loja dizendo que queria comprar uma aliança de noiva. O homem levantou a camisa e mostrou uma arma para a filha de Ester, Paula Magalhães.
— Cada caso é pior do que o outro. Já tivemos casos, como o de um funcionário que foi levado como refém, além de troca de tiros. A violência aumentou muito em Cabo Frio. Depois que ocuparam os morros do Rio, os bandidos invadiram nossa cidade. E o pior é que a 126 DP (Cabo Frio) não está preparada. Quando fui registrar o assalto no dia 14, parecia que estava entrando no túnel do tempo. O inspetor usava uma máquina de escrever enferrujada. Ele teve que anotar a ocorrência no papel. E disse que viria depois aqui na loja para usar meu computador. Não veio. Quanto ao último roubo, estamos esperando a perícia até hoje — disse Paula, apontando para as manchas de sangue do ladrão no vidro.
“Foram 40 minutos de terror”, diz comerciante
Outro caso no Centro de Cabo Frio foi o assalto sofrido pela mulher do comerciante Ricardo Ferreira Guimarães, Denise Guimarães, de 49 anos, surpreendida no apartamento por dois assaltantes, há uma semana.
— Os bandidos renderam o porteiro do prédio, que os levou até meu apartamento, onde a minha mulher estava sozinha. Um deles a puxou pelos cabelos, a jogou no chão, amarrou suas mãos e seus pés, além de dar chutes nas pernas dela. Eles gritavam que ela ia morrer. Foram 40 minutos de terror — contou Ricardo.
O comerciante disse ainda que levaram mais de 30 relógios, além de filmadora e máquina fotográfica de sua casa:
— Não aguento mais. Meu filho também já foi assaltado duas vezes.
A PM disse que tem intensificado o patrulhamento. Em nota, informa que houve queda nos índices de homicídios: de 303, em 2006, para 194, em 2011, na 25 Área Integrada de Segurança Pública da região.
Moradores de comunidades carentes de Cabo Frio, como Jacaré e Boca do Mato, controladas por facções rivais, dizem que o número de homicídios cresceu.
— Tivemos que fazer um manifesto para manter o trailer da PM, pois o novo comando quis tirá-lo no fim do mês passado. Ele ficou lacrado por dez dias — contou Claudio da Silva, morador do Jacaré, lembrando que uma menor morreu vítima de bala perdida em novembro, por causa de uma invasão de um grupo rival.
Na Boca do Mato, Carmem Lúcia Francisca, de 42 anos, chora a perda do filho Luan de Matos, de 20:
— Ele era ajudante de pedreiro. Foi morto com 16 tiros no mês passado e me expulsaram do Jacaré. Estamos com medo.
O delegado da 126º DP (Cabo Frio), Sérgio Lorenzi, disse que há uma média de três flagrantes diários na cidade.
— A criminalidade está sob controle em Cabo Frio.
FONTEO Globo

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