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SEGURANÇA PÚBLICA EM CABO FRIO

(comentário postado no artigo "Tamoios sofre mais um atentado, assaltantes explodem agência do ITAU", em http://blogdoalaircorrea.com.br/2012/tamoios-sofre-mais-um-atentado-assaltantes-explodem-agencia-do-itau/comment-page-1/#comment-10223 )

Há uma tendência em querer justificar a ocorrência dos fatos com argumentos que simplesmente o caracterizam, como: “isso é comum”, “isso é normal, está crescendo em todo o país”… e por aí vai, como se a simples ocorrência justificasse uma aceitação passiva. É verdade que a criminalidade tem crescido amplamente em nosso país, mas isso não justifica cruzarmos os braços e não estudar soluções. E, em relação a Cabo Frio, não faz tanto tempo que esse quadro era diferente. 

Até alguns anos atrás, era uma cidade tranquila, segura, apesar da violência já figurar em níveis alarmantes em várias outras cidades, inclusive na capital. Mas, percebíamos que havia maior preocupação e investimento na prevenção do problema. Mesmo a segurança pública sendo de competência do estado, o município buscava maneiras de agir, dentro de sua competência, e colaborava na prevenção da violência. Havia um efetivo muito maior de guarda municipal nas ruas auxiliando a polícia militar, e também maior número de viaturas e policiais rodando pela cidade. Alair Corrêa, prefeito à época, agindo dentro daquilo que a competência municipal lhe permitia, promovia debates com os responsáveis pela questão da segurança, mas também exigia do governo do estado maior esforço no combate ao crime, conseguindo, assim, aumentar o efetivo policial na cidade. Além disso, sabia que os problemas sociais são interligados e que uma cidade com carência de oportunidades é um espaço aberto a vícios e crimes diversos. Assim, promoveu atividades que fizeram crescer o turismo e investiu na educação abrindo novas escolas e nelas implementando atividades e cursos com finalidade de manter o aluno ocupado em tempo integral. O que observamos, portanto, é que havia disposição e colaboração efetiva por meio de diversas frentes para que a violência não se instalasse na cidade.

De lá pra cá, percebemos que o governo atual não teve a mesma postura ativa nesse sentido. Reduziu demais o efetivo da guarda municipal nas ruas, e, junto a isso, a cidade entrou numa fase de decadência em relação a oportunidades de trabalho. Perdeu o espaço conquistado no turismo, acumulou problemas na área da educação e o desemprego e a favelização aumentaram. Junto a isso, o programa das UPPs foi implantado na capital e o município de Cabo Frio nem mesmo buscou, junto ao estado, que medidas conjuntas fossem tomadas no interior no sentido de impedir a instalação na cidade de ramos criminosos advindos da capital. Em Macaé, recentemente, a prefeitura buscou soluções nesse sentido junto ao estado, e medidas foram tomadas. Em Cabo Frio, esta conjuntura propícia, aliada à inércia do poder público municipal, fez com que a criminalidade se instalasse, sem nenhuma atitude a mais para combatê-la.

Por tudo isso que hoje vemos, infelizmente, um banco sendo explodido em Tamoios: resultado de total descaso e inércia de uma administração no trato das questões sociais.

Luciana G. Rugani

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