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ELEIÇÕES: DESCONSTRUÇÃO DO ADVERSÁRIO = MENOSPREZO DA INTELIGÊNCIA DO ELEITOR

Ao ler a matéria "PT e PSDB focam campanha em 'desconstruir' Marina" (http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2014/08/pt-e-psdb-focam-campanha-em-desconstruir-marina.html), chamou minha atenção o modo como é encarada, pelas partes, a disputa eleitoral.
O que fazemos quando queremos valorizar um produto para venda, por exemplo? Sabemos que todo bom vendedor busca exaltar as qualidades do seu produto, e mais que isso, busca enfatizar o que de bom ou de útil a aquisição daquele produto poderá trazer ao comprador. Esta é uma regra básica de argumentação de vendas. Ora, isso é valorizar o que se oferece ao outro. Não se vende um produto destacando os defeitos de outro, pois o cliente quer saber informações é sobre o seu produto. Você pode até compará-lo com o outro, mas sempre focando as características do seu produto, mostrando o seu diferencial.  

Trazendo esse raciocínio para o assunto da propaganda eleitoral, temos que o eleitor é como se fosse o comprador: deseja conhecer os candidatos e suas propostas para, a partir daí, escolher aquele que mais lhe pareça adequado. E os candidatos são como se fossem os vendedores, e os produtos a serem vendidos são suas propostas e ideias. Estas que devem ser valorizadas, focadas, destacadas.  

Essa pequena comparação serve para alertar o eleitor de que, em uma política séria, é essa a atitude que deve prevalecer: candidatos destacando seus trabalhos, suas ideias e o quanto elas farão a diferença na vida do eleitor. E eleitor se informando, conhecendo as ideias de cada um, comparando-as e, finalmente, optando. 

Agora, quando lemos uma matéria como a mencionada acima, percebemos o nível atrasado em que ainda se encontra a política brasileira. Essa estratégia do PT e PSDB é uma amostra de como se faz política no Brasil. A preocupação maior não é fazer um trabalho diferenciado, ou elaborar uma proposta coerente e atrativa. Preocupa-se muito mais em desfazer o adversário, foca-se mais nas propostas do outro do que no desenvolvimento do próprio projeto. É um nível bem atrasado ainda, e se pensarmos bem, é um reflexo da própria sociedade também ainda atrasada em que vivemos, onde muitas vezes, em uma equipe, os membros, invés de pensarem em desenvolver suas potencialidades e contribuírem com o melhor possível de cada um, preocupam-se mais em olhar o outro que se destaca e boicotar seu trabalho por simples espírito de competição, o que acaba por anular as forças que deveriam somar, e, por consequência, leva a um resultado final pífio. Se cada parte tivesse mais objetividade e preocupação em desenvolver um bom trabalho, com certeza viveríamos em uma sociedade muito mais evoluída e próspera.

Realizar uma campanha focando a desconstrução do adversário é revelar que o que vale é assumir o poder a todo custo, pois destruindo o adversário o poder lhes chegará naturalmente às mãos. Somem os debates construtivos, olvida-se a argumentação inteligente e o eleitor, ao ser privado de ricos debates em torno das ideias e projetos, tem sua capacidade de livre escolha menosprezada, diminuída.

Não sejamos fantoches, não nos deixemos manipular pelo que dizem uns de outros. Valorizemos mais nossa inteligência e capacidade de escolha apoiando candidatos que souberem manter uma campanha em melhor nível e que busquem divulgar seu próprio trabalho e debater ideias e propostas. Agindo assim, estaremos respeitando a nós mesmos, valorizando nosso próprio poder e capacidade de análise e decisão. 

Luciana G. Rugani

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