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DIÁRIO CABOFRIENSE: ENTREVISTA COM O PREFEITO ALAIR CORRÊA

Abaixo segue entrevista do prefeito de Cabo Frio (RJ), Alair Corrêa, ao jornal Diário Cabofriense. 

Concordo plenamente com o que ele diz. Hoje em dia há uma pressa em pré-julgar, em julgar sem conhecer a complexidade dos fatos, em fazer juízos prévios de valor sobre a personalidade de alguém. E fazem isso sem conhecer nada sobre fatos ou sobre a pessoa, sem o mínimo respeito nem pelo ser humano. Destaco especialmente o seguinte trecho:

"DC – Recentemente 23 pacientes morreram em um único hospital do Rio de Janeiro, por falta de oxigênio hospitalar, mas a mídia anunciou como descaso dos médicos…
AC – Exatamente. Estamos em uma época singular, onde as pessoas parecem estar perdendo a capacidade de julgar uma notícia ou buscar a confirmação da mesma. Se a notícia desfavorece um governante, um artista ou qualquer pessoa de certa projeção acreditam sem piscar os olhos. Imagine se uma tragédia dessas acontece aqui: eu seria massacrado....".

Leiam a seguir toda a entrevista:


Alair Corrêa:
“O país inteiro está em crise, essa culpa não é minha”

O desabafo de um homem que tenta administrar uma cidade dividida e sem dinheiro

Walter Biancardine
Diário Cabofriense – Prefeito, como anda a situação da reposição das perdas dos royalties e como a falta deste dinheiro tem afetado a cidade?
Alair Corrêa – Não conseguimos ainda a devolução dos 296 milhões de reais que perdemos com o petróleo, como aprovaram o Senado e a Câmara Federal. Sendo assim, em 2016 nossa batalha continua, com uma arrecadação inferior a despesa que temos com a folha dos servidores e com a manutenção da cidade.
DC – E quais são os principais problemas gerados por isso?
AC – Temos problemas com pagamentos das empresas de varrição, da coleta de lixo, da retirada do resto de obras, do subsídio de ônibus, fornecedores e empreiteiros. A cada dia temos um embate com algum segmento, mas sem fugir dele. Já diminuímos bastante as despesas com manutenção da cidade e também com folha de pessoal, mas por maior que seja minha dedicação com a situação, ainda assim, não conseguimos resolver nosso problema financeiro na Prefeitura.
DC – Mesmo cortando despesas, ainda assim a conta não fecha? O que acontece?
AC – Em janeiro e fevereiro, em tese teríamos um fôlego, já que as férias escolares nos permitiriam a redução de 4 milhões de reais. Infelizmente isso não acontecerá, porque nossa despesa com a segunda parcela do13º salário será de 6 milhões de reais. Então, precisaremos de mais dois milhões de reais. Não é fácil enfrentar tamanha situação.
DC – Mas a população compreende que a crise é geral, afinal basta assistir o noticiário da TV para saber que todos os municípios do Estado do Rio quebraram. As maiorias dos Estados da federação também estão quebrados. Podemos citar Minas Gerais como exemplo. Isso faz com que as pessoas entendam e colaborem?
AC – Infelizmente não tenho contado com qualquer tipo de compreensão da nossa sociedade e alguns até pensam que eu, exclusivamente, sou a causa do sério problema. Não é uma questão de gestão, nem aqui, nem no Rio, Minas ou São Paulo. O país quebrou, mas parte da mídia local finge ignorar a falência do Brasil e trata um dos momentos mais graves vividos pela República como algo exclusivo de Cabo Frio.
DC – Recentemente 23 pacientes morreram em um único hospital do Rio de Janeiro, por falta de oxigênio hospitalar, mas a mídia anunciou como descaso dos médicos…
AC – Exatamente. Estamos em uma época singular, onde as pessoas parecem estar perdendo a capacidade de julgar uma notícia ou buscar a confirmação da mesma. Se a notícia desfavorece um governante, um artista ou qualquer pessoa de certa projeção acreditam sem piscar os olhos. Imagine se uma tragédia dessas acontece aqui: eu seria massacrado. Cabo Frio tem um dos melhores sistemas de saúde pública da região e mesmo não sendo perfeito, funciona. Outras cidades têm um ou nenhum hospital, mandam seus doentes para cá e nós que arcamos com esse custo. Experimente ser atendido num Getúlio Vargas, no Rio. Tenha essa triste experiência, antes de criticar nosso sistema.
DC – Por falar em gastos com saúde, como o senhor está fazendo para administrar um orçamento que não fecha?
AC – A folha de pessoal, que era de 35 milhões, conseguimos trazê-la para 30.5 milhões. A manutenção bruta, que era de 9,5 milhões, reduzimos para 5,5 milhões. Não temos como fazer mais nada além de trabalhar o crescimento da receita interna e é o que estamos fazendo. A saúde e educação consomem 85% do valor da folha de pessoal, ou seja, 26 milhões de reais. Os outros 15% são de outras secretarias e comissionados. Não temos mais onde diminuir os gastos, a não ser fechando escolas, como o estado de São Paulo, ou fechando hospitais como o Estado do Rio de Janeiro, o que não farei.
DC – Mas esta situação está gerando greves, protestos e um desgaste imenso para o senhor...
AC – Eu sei que para acabar com greves, protestos de fornecedores, de empreiteiros e a mídia cobrando sem parar por melhoria na cidade, só com atitudes duras como as que citei e agora comentei. No entanto, como já disse, não me perdoam mesmo conhecendo a crise.
DC – Estão explorando politicamente a crise?
AC – Ora, basta que perguntemos: alguém ataca São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Búzios, Iguaba, Araruama, Saquarema, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Rio Bonito e outras cidades da Região por terem apenas um hospital enquanto nós temos seis? Não ouço ninguém reclamar por estas cidades não terem uma escola de ensino médio, enquanto nós temos cinco. Não, ninguém fala nada e ninguém critica. Agora, se eu fechar apenas um dos seis hospitais que temos em Cabo Frio, o mundo cairá sobre mim! Por isso prefiro sofrer mantendo a saúde, educação e a limpeza funcionando, mesmo com os protestos dos que não recebem dentro do vencimento, mas continuarei trabalhando para, um dia, conseguir cumprir prazos com essas pessoas que têm sido tolerantes com nosso governo.
DC – Mas a UPA está fechada...
AC – Está, mas, para substituí-la, reabrimos o HCE melhor equipado, maior, mais funcional, e com uma UTI de oito leitos! Mas a mídia bate na prefeitura, não no Governo do Estado, que deve 10 milhões de reais ao município. Critica o fechamento da UPA, mas não mostra a população o novo hospital municipal HCE que a Prefeitura, com todo sacrifício, inaugurou.
DC – Para finalizar, o que o senhor espera para este ano de 2016 que, mal começou e já se anuncia como tão difícil para todo o Brasil?
AC – Só peço força a DEUS. Que Ele me permita continuar trabalhando e suportando a incompreensão humana, dessa parcela da mídia que tanto desserviço presta á população criando todo esse clima de ódio e desunião do povo, em um momento em que deveríamos estar mais unidos do que nunca, esquecendo partidarismos e preferências políticas e visando unicamente salvar nossa cidade.
‪#‎OPINIÃO‬ – Esquecimentos seletivos
Existem situações que acontecem em Cabo Frio e que desafiam a lógica mais elementar: se o país inteiro quebrou – vitimado por mensalões, petrolões ou o que for – e com isso Estados antes poderosos como São Paulo, Rio e Minas Gerais enfrentam o caos em seus serviços públicos, por que a mídia cabofriense “esquece” o que se passa no resto do país? Existe uma politização da crise?
A resposta é um grande, retumbante e óbvio “sim”!
O desastre administrativo do governo do PT é cuidadosamente esquecido na mídia cabofriense por diversas razões: primeiro, por que tentam culpar o prefeito por temas que não são de sua competência administrativa, como taxas de juros, escassez de repasses Federais e Estaduais, e outros. Segundo, porque as eleições 2016 começaram há muito, no momento em que o prefeito Alair Corrêa “liberou” auxiliares para concorrer à prefeitura. A partir daí o discurso político – e as greves, movimentos, protestos, passeatas – começaram, e com uma força, ferocidade e virulência jamais vistas.
Em terceiro lugar convém lembrar que 110% destes “protestos” são organizados e financiados por elementos ligados a partidos políticos como PDT, PSOL e PMDB – e todos estes apoiam o principal responsável pela crise: o PT de Dilma e Lula. Assim, para que tenham dinheiro para bater em Alair e conquistar cadeiras de vereador e prefeito, jamais apontarão defeitos ou responsabilidades em um partido – PT – que traz os demais encabrestados pela cobiça financeira. Exemplo claríssimo disso é o SEPE, que presta solidariedade até em greve de mendigos – desde que seja contra Alair – mas é cronicamente incapaz de solidarizar-se com seus colegas cariocas, que passam fome. Nem uma só linha é produzida pelo sindicato ou sua mídia amiga sobre isso.
Assim aos trancos e barrancos, em plenas trevas de informação, o cidadão cabofriense vê-se sem meios de formular uma opinião baseada nas notícias de sua mídia. O que esperar de uma Folha dos Lagos, por exemplo, que recebe comprovadamente dinheiro do gabinete do Sr. Marcos Mendes? Este é o exemplo de gestão?
O que esperar de um sindicato cujo secretário e principal agitador na mídia pertence a um partido político, controlado na região pelo tio de sua esposa? Isenção?
Seria aconselhável que todos nós fizéssemos um “tour da desgraça” pelo Rio de Janeiro. Que sofrêssemos 3 a 4 horas de espera em um Hospital Getúlio Vargas. Que fossemos a padaria buscar pão e levássemos o susto de uma bala perdida ricochetear no muro ao nosso lado. Que demorássemos algo em torno de duas horas e meia para chegar ao trabalho por causa do trânsito e enfrentássemos um arrastão presos no tráfego. Que enviássemos filhos à escola e voltassem contando que o professor – que não recebe há dois meses – apanhou de um marginal fantasiado de aluno, e que nada pode fazer porque uma ONG socialista qualquer o protege.
Cabo Frio não é nem está perfeito.
Mas não só está muito melhor do que no governo anterior – que dispunha de rios de dinheiro e nada fez – como, igualmente, não se compara ao Rio de Janeiro em segurança, saúde e educação.
Mas isso a ‪#‎mídia‬ (também) não vê.

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