quarta-feira, 13 de abril de 2016

A DANÇA DAS CADEIRAS DO MERCADO ELEITORAL



Incrível como neste caso do processo de impeachment da presidente Dilma vemos um retrato fiel do nosso infame sistema político. Pra começar, são criminosos e investigados julgando outros criminosos e investigados. Como se pode permitir que Maluf (aliás, não deveria ser-lhe permitido nem mesmo a ocupação de algum cargo público), Collor e Cunha, entre outros, participem ou interfiram no processo? Para mim isso chega a ser uma aberração! 

Por outro lado, vemos um governo desesperado, utilizando manobras que na verdade revelam o quanto estamos falidos em termos de Política com "P" maiúsculo. Denunciaram que o governo federal estaria negociando cargos em troca de votos contra o impeachment. Mas o que se poderia esperar, considerando que vivemos em uma sociedade que aceita com tranquilidade e acha normal esse troca-troca, esse "quem paga mais" da nossa política? Uma sociedade onde pré-candidatos se vendem em troca de favores ou promessas futuras, onde a dança das cadeiras nos partidos virou um verdadeiro mercado persa, sem nenhuma ideologia, sem a mínima coerência, e tudo permitido pela legislação eleitoral através do famigerado "quociente eleitoral". A matemática eleitoral permite que se conheça de antemão e com quase cem por cento de chance as reais possibilidades de sucesso em uma eleição, o que faz com que sejam ainda mais intensas as barganhas e os valores nelas "comercializados". 

Compra de votos hoje em dia é o mínimo, tendo em vista tudo o que acontece. Há compra de partidos, de candidaturas, de apoio, e até mesmo de silêncio. Tudo se vende e tudo se compra nesse que vou chamar de MPB. Não, não é a música popular brasileira. Essa não vai muito bem, mas segue seu caminho. MPB é a sigla de mercado político brasileiro, denominação que acabei de criar para esse verdadeiro mercado persa brasileiro da política. 

Como podemos querer que tudo caminhe de forma ética e legal, no congresso e no governo federal; como podemos achar um absurdo que ali ocorram estes disparates, se a sociedade brasileira, até mesmo nos pequenos pleitos, como as eleições para escolha de conselheiros tutelares, vive atolada em hábitos corruptos e realimentando-os a cada pleito? Impossível. Somos o reflexo do todo. 

Ao invés de manifestarmos surpresa com tudo que vem ocorrendo no governo federal, como se fosse algo totalmente fora de propósito, ponhamos a mão na consciência e olhemos ao nosso redor. Façamos também uma autorreflexão e analisemos friamente até que ponto permitimos ou até mesmo compactuamos com a permanência disso tudo. 

Nossa economia não suporta mais tanta corrupção. Corrupção gera custo, encarece produtos. O benefício a curto prazo recebido agora, por meio do troca-troca deste mercado eleitoral, já está nos custando muito caro, e isso tende a pior se não começar a ser cortado pela raiz.

Luciana G. Rugani

Um comentário:

  1. Collor, Cunha, Maluf, Sarney, Renan Calheiros, Paulinho da Força, só para citar alguns dos principais, estes não deveriam sequer constar dos quadros políticos deste país, qto mais ter força política, mas como aqui é terra de inversões de valores...

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