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ENTREVISTA DO PREFEITO ALAIR CORRÊA NA INTERTV

Ontem o prefeito Alair Corrêa esteve na InterTV dando esclarecimentos sobre a complicada situação financeira de Cabo Frio. Cabo Frio sofre de maneira mais pesada os efeitos da crise nacional pois, além da queda dos repasses nacionais e estaduais, caiu também arrecadação dos royalties. Questionado se teria faltado planejamento, o prefeito respondeu que não, pois a queda dos royalties, da forma tão abrupta que aconteceu, não tinha como ser algo previsível. Ninguém imaginava que a apuração pela Operação Lava-Jato da rede de corrupção na Petrobrás trouxesse como consequência a quebra brusca dos royalties. Ele sempre afirmou, inclusive em outras entrevistas, que havia começado um trabalho de independência dos royalties e preparação da cidade para o turismo, tanto que, em seus mandatos anteriores, providenciou toda a infraestrutura necessária para que a cidade se tornasse um roteiro turístico nacional e internacional. Segundo ele, Cabo Frio precisava investir no turismo e ser independente da receita vinda dos royalties. O trabalho continuou, no início deste seu mandato, porém, devido aos motivos já citados, a queda dos royalties não aconteceu de forma gradual como deveria, e sim bruscamente, portanto teve que ser interrompido.

Cabo Frio recebia, como produção especial, 37 milhões para cada trimestral ao ano. 37x 4 = 148 milhões-ano. Em 2015/2016, uma trimestral antes 37 milhões caiu para R$ 90.000 mil reais. Ao ano, 90 mil x 4 = R$ 360 mil reais, perda praticamente total ou R$ 147.640.000,00 Essa receita VIROU PÓ! Já os ROYALTIES, que é contribuição mensal, era de 16/17 milhões-mês. Caiu pra 7 milhões, e há três meses atrás estava a 5 milhões agora melhorou um pouco. Exemplo: antes 16 milhões X 12 meses = R$ 192 milhões. Agora 7 milhões X 12 meses = 84 milhões PERDA NO ANO R$ 108.000.000,00 + a perda com as trimestrais que foi de R$ 147.640.000.00 = PERDA GERAL COM O PETRÓLEO NO ANO R$ 255.000.000.00 ( DUZENTOS E CINQUENTA E CINCO MILHÕES DE REAIS), mais de 20 milhões ao mês! 

Há anos, quando a arrecadação de royalties era ainda bem mais alta, a cidade adquiriu uma grande infraestrutura de serviços, através da qual atendia até mesmo pessoas vindas de outras cidades da região. Foram construídos sete hospitais e uma UPA e, na Educação, a cidade abraçou até mesmo o ensino médio, que é competência do governo do estado. Com a queda da arrecadação, logicamente não seria possível manter toda essa infraestrutura com a mesma qualidade de atendimento. O prefeito, ciente de que o fechamento de um hospital ou escola representa uma perda definitiva e irrecuperável para uma população, optou por seguir com a escola de ensino médio e não fechar nenhum hospital. Dessa forma, os atendimentos caíram em qualidade mas poderão melhorar quando essa crise passar, enquanto que a perda de um destes hospitais poderia talvez ser algo irrecuperável no futuro.

O prefeito deu explicações importantes sobre vários temas. Respondeu a todas as questões com segurança. Quando perguntado pela repórter se tinha vergonha pelo fato da cidade estar passando por essa situação, disse que se envergonha do que está acontecendo pelo fato de ter realizado tanto pela cidade em seus governos passados (inclusive tendo ficado conhecido nacionalmente como o prefeito que transformou uma cidade) e agora ser o prefeito incumbido de estar a frente da prefeitura justamente nesse período crítico. Por fim, destacou que o fato de não ter conseguido mudar essa situação não significa derrota nem fim de sua participação política, pois ano que vem, com o novo prefeito, a população terá a chance de perceber que essa situação crítica não é fruto de má gestão, e sim consequência da queda brusca de arrecadação.

Cliquem na foto abaixo para assistir à entrevista:




Luciana G. Rugani

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