terça-feira, 21 de março de 2017

NOVA FORMA DE PENSAR A POLÍTICA E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

por Luciana G. Rugani - O que ainda nos dá algum ânimo para acreditar que um dia o corrompido e já desacreditado sistema político brasileiro ainda pode mudar é acompanhar a semeadura de ideias e pensamentos como os de Gabriel Azevedo e Mateus Simões de Almeida, vereadores de primeiro mandato na capital de Minas.

Suas colocações políticas aplicam-se a todos os municípios deste país. São pensamentos e condutas avançados, totalmente diferentes do que estamos acostumados. Quando Gabriel diz, por exemplo, que será um vereador independente, que apoiará o que considerar bom para a cidade e rejeitará o que assim não for (sempre atendendo ao posicionamento dos cidadãos que se manifestam por meio do aplicativo "Meu Vereador"), justamente ele, que foi apoiador na eleição do prefeito atual, e que por isso não fará parte do rebanho de políticos que se chama "base do governo", ele demonstra coragem e personalidade para ir contra um tipo de pensamento mesquinho e pequeno que impera na política em geral, tanto em capitais quanto no interior, e que já passa da hora de cair por terra.

Trazendo estas suas palavras para a realidade de Cabo Frio, vemos o quanto a cidade ainda precisa avançar nesse sentido.

Se alguém reclama ou solicita alguma providência, é porque apoia o grupo político opositor e está contra o governo. Ou se alguém elogia, é porque faz parte do governo ou a ele dá seu apoio. Esse tipo de pensamento precisa mudar, pois ele faz com que muitos se calem e desanimem de solicitar melhorias para a cidade. Não é porque alguém já apoiou algum político que a vida inteira seguirá dando seu apoio para algum dos lados. Não, muitos podem simplesmente decidir caminhar em frente e participar apenas como cidadãos opinando, solicitando e dando sugestões.

Vale a pena ler suas ideias que seguem abaixo. Novas formas de pensar e fazer política estão surgindo. Os velhos e perversos hábitos que privilegiam os interesses pessoais, transformando mandatos inteiros em meras ações de barganha, precisam mudar. As pessoas estão cansadas dessa politica que não leva a lugar nenhum, a não ser à satisfação dos interesses pessoais e financeiros de seus protagonistas.

Na primeira coluna temos as palavras de Gabriel, e na segunda segue um pequeno vídeo de Mateus Simões. Não deixem de ler e assistir :

"....Escrevo para explicitar melhor às pessoas (sobretudo 10.185 pessoas) dois posicionamentos meus: não serei parte da base de governo e terei uma atuação independente.
Um líder de governo conduz a base do governo. Na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos da América, existe quem exerça a função de "whip" (chicote, na tradução) cuja função é garantir que os políticos votem da forma que se espera. O líder de governo cumpre essa função por aqui também. Considerando que a base de governo é uma espécie de rebanho de políticos, cabe a um personagem garantir que esse coletivo permaneça unido e vote unido da forma como a prefeitura espera. Isso mesmo... Um boiadeiro com berrante na mão. Eu definitivamente não sirvo ao outro papel da cena. E também não poderia, como já expliquei aqui, conduzir rebanho nenhum se eu próprio sou conduzido pelo eleitorado.
Ocorre que pode ser que o que a prefeitura deseja aprovar na Câmara Municipal talvez seja o contrário do que a população deseja. Um exemplo? Vamos dizer que seja desejo do Poder Executivo aumentar os impostos. Vou presumir aqui que a população deseja o contrário. Assim sendo, para se adiantar, a prefeitura tenta garantir votos formando uma base de apoio (a já referida base de governo). Como há 41 vereadores, busca-se o número de 21, 24 ou 28 a depender da quantidade votos que um projeto precisa.
E por que razão algum vereador votaria contra a vontade dos seus próprios eleitores? A lista de motivos pode ser bem farta e variar de acordo com a negociação com a prefeitura. A verdade é que o perfil do vereador conta muito nessa hora. Há aqueles que se elegem de forma distinta baseando sua campanha em causas, redes organizadas e influências diversas. Há outros cuja eleição acontece de forma muito localizada com demandas específicas como obras ou intervenções da prefeitura... Na minha opinião, obras e ações diversas do Poder Executivo não deveriam ser utilizadas como parte de se negociar uma base de governo. Sobretudo para agradar um ou outro que pretenda deixar o mandato de vereador na metade para disputar outro cargo. E por que razão? Uma obra atende a população! Pensar que ela pode ser barganha é imaginar que um local pode sofrer ou não uma enchente por que alguém vai obter votos ou não assim! Isso é o que eu leciono em sala de aula. Entendo a realidade da política. Todavia, não quero (nem pretendo) me curvar a ela.
Durante a minha campanha eleitoral, fiz questão de guardar muito bem na memória o que ouvia por parte de quem declarava voto em mim: "não vai ser mais um", "não me decepcione", "não quero me arrepender do meu voto"... Assim será. Custe o que custar.
Faço essa longa explicação para deixar claro de forma muito didática por que razão eu não componho a base de governo. Declaro-me um vereador independente. Duplamente independente: não apenas do governo, mas também do partido. Acredito verdadeiramente que o bem mais precioso que um vereador (ou qualquer parlamentar) possui é o próprio voto em plenário e a sua capacidade de se manifestar livremente. O dia em que eu hipotecar isso certamente irei decepcionar muitas pessoas que esperam de mim o que prometi em campanha: "fazer diferente". Parece que para alguns, o slogan da campanha termina na campanha. O meu mote é um contrato. Não pretendo rasgá-lo.
O fato se agrava a partir do momento em que eu não apenas permaneço atento à vontade dos cidadãos! Não! Mais do que isso: eu meço isso por um aplicativo. E vou além: me comprometi a abrir mão de uma posição pessoal caso o eleitorado assim se posicione na votação digital. Reputam-me loucura. Chamam-me irresponsável. Pode ser... Todavia, na hora em que o Congresso Nacional decide votar a Reforma Política, a Reforma Previdenciária, a Reforma Trabalhista e tantos outros projetos de interesse da população, o povo é o último a opinar. Ou melhor, não opina geralmente. Como votará aquele deputado que você elegeu? Aliás, como é que você consegue falar com ele? E assim, de ausência de representatividade em ausência de representatividade vamos destruindo aos poucos a nossa já arruinada democracia representativa. Representa quem? Apenas os interesses do governo? Pode ser que seu representante consiga aquela demanda para o seu bairro. Todavia, vale se perguntar a que custo.
Não faz mal regressar séculos na história para entender como surgiu a Carta Magna que limitou os poderes do monarca em 1251... Também é elucidativo verificar como se deu a divisão do poder em três funções como sugeriu o Barão de Montesquieu. Se alguns consideram isso apenas teoria, para mim o que ensino em sala é prática.
Portanto, fica exposta a razão de não compor a base de governo. Isso me obrigaria a me comportar de uma forma distinta ao que prometi a eleição.
Ato contínuo, isso não quer dizer que vou me posicionar contra a prefeitura. Não faria sentido algum. Todos sabem que participei da campanha do prefeito eleito e desejo o melhor para Belo Horizonte. A minha atuação será simples: o que eu considerar bom para a cidade (em conjunto com os usurários do aplicativo "meu vereador") terá meu apoio. Da mesma forma vale a regra para o contrário. Nada de grilhões ou obrigações. Eu sei bem como podem usar isso contra mim. E usarão. Todavia, diria Winston Churchill, "é preferível ser irresponsável e estar com o acerto do que ser responsável e estar com o erro".
No começo, o lema "chega de político" até me incomodou... Oras, eu sou um. Depois, ficou claro para mim que ele sintetizava (através da sacada brilhante de Augusto Fonseca) um sentimento muito latente na população: o basta ao modelo atual de se fazer política. Está todo mundo cansado de ver tudo seguir como sempre foi. Eu também. E, ainda que isso me custe uma eleição no futuro, não arredarei o pé dessa posição. Chega de político que só pensa na eleição. Chega de político que esquece o que prometeu. Chega de político que não escuta o povo. Chega de político que não quer fazer diferente. Chega que político que não quer fazer diferença. Posso incomodar muito, mas, como recomendou Winston Churchill, "nunca devemos nos render a nada, exceto às convicções de honra e bom senso"." (Ver. Gabriel Azevedo)
https://www.facebook.com/gabriel.azevedo/photos/a.343478005751345.75413.343395169092962/1194660617299742/?type=3 

por Luciana G. Rugani - Ouvir um político dizer isso é uma alegria enorme, uma luz no fim do túnel que nos dá esperança de que em nosso país ainda surjam novas vozes em sintonia diferente do que vemos na grande maioria. Ver um político, principalmente um vereador, cargo cujos detentores são tradicionalmente conhecidos por fazerem indicações políticas, falando em profissionalização da gestão e contra as indicações políticas, me deixa feliz, pois me faz seguir sabendo que não estamos de todo perdidos, há alguns ícones que também estão cansados dessa pouca vergonha que se tornou a política em nosso país. Que consigam seguir adiante e tenham cada vez mais sucesso em seu trabalho:
"Os municípios, em geral, são os espaços nos quais a gestão pública é mais precária.
Assim, me parece essencial que os profissionais do chamado "Campo de Públicas" (Administração Pública, Gestão Pública, Ciências do Estado e outros) sejam inseridos nas administrações municipais para o atendimento da necessidade que temos de profissionalização da gestão pública. Isso vale para a prefeitura de Belo Horizonte, para a Câmara Municipal e, de modo geral, para todo o Brasil..." (Ver. Mateus Simões) 
https://www.facebook.com/mateussimoesdealmeida/videos/952938614842541/






















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