Pular para o conteúdo principal

ONDE VAMOS PARAR ENQUANTO SOCIEDADE?


Hoje, em nosso país, parece que vivemos dentro de um "salve-se quem puder", ou "que se vire".

Temos, de forma geral, um poder público em que autoridades e políticos entram para "se dar bem", tratando com descaso as políticas públicas, sem a devida atenção que o setor exige, sem exercer planejamento e priorizando questões pessoais e político-partidárias ao invés das problemáticas coletivas reais. Temos as instituições sofrendo os efeitos deste descaso, como, por exemplo, a polícia, que não é devidamente valorizada e segue atuando sem adequada infraestrutura de trabalho, tendo que "se virar" (dias atrás vimos um carro de polícia que nos deu dó! O pneu liso, até soltando partes já, de tão "careca". Partes do carro já danificadas, e, literalmente, caindo aos pedaços!). Temos uma sociedade onde cada um também "que se vire", que se cuide, pois o Poder Público não é mais capaz de exercer o dever social que lhe cabe. Temos ainda leis que mais incentivam os tão conhecidos "atalhos", típicos de sociedades com fraca atuação do poder público. As instituições e órgãos públicos estão frequentemente em greve, impossibilitando a execução efetiva de atos necessários para exercício dos direitos. Enfim, temos a imagem perfeita do caos (como se fosse possível haver alguma "perfeição" no caos!)

E como resultado disso tudo temos muitas vezes a violência servindo de meio para a "solução" dos problemas surgidos. Parece que voltamos ao tempo da barbárie, do faroeste, da terra sem lei, e com isso nossa sociedade está se anestesiando. Os corações estão se enrijecendo e a violência se banalizando. Onde vamos parar enquanto sociedade? Não adianta seguirmos nessa linha de "cada um por si" e deixarmos ficar como está.

Gostaria muito de ver os "panelaços" e grupos de pessoas indo às ruas para pleitear a segurança pública, para repudiar a corrupção crônica, sem direcionar para partido A ou B, sem interesses pessoais. Estes cidadãos que acabam agarrando-se a esse caos e aceitando, de certa forma, a submissão a essa lei do "salve-se quem puder", será que na hora do voto, por exemplo, decidem por aqueles que realmente lhes parecem menos sujeitos a perpetuarem esse caos ou decidem por aqueles que mais benefícios pessoais lhes trarão? 

Triste isso tudo que está acontecendo, onde nem é possível mais saber quem está ou não com o direito e com a razão. Há que se ter o cuidado de não se deixar agarrar a essa loucura e aceitar que isso é normal, que funciona assim mesmo.  A cada dia as estatísticas criminais aumentam, e a gravidade da situação passa a ser medida dentro dos quantitativos estatísticos e o que ontem seria considerado um índice preocupante, hoje passa a ser "normal".

Nossa sociedade está perdendo a capacidade de indignar-se, aceitando como "normal" o que é inaceitável. Banalização da violência, cada um por si, que se vire, isso tudo só corrobora a mentalidade de "vou pra lá me arrumar e me dar bem", tão vivida e demonstrada no poder por nossos representantes.

Infelizmente estamos sujeitos aos efeitos desse Estado caótico, mas que isso não entorpeça nossas mentes no sentido de destruir nossa indignação, cegar nossa percepção e enrijecer nossos corações.

Luciana G. Rugani

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CIDADANIA NOS DIAS ATUAIS

Cidadania é um termo cujo significado encontra-se em constante evolução, sendo modificado e ampliado através da história. Já esteve ligado somente ao exercício de direitos e deveres políticos, mas hoje, devido à evolução das relações sociais, possui um alcance muito maior que envolve também a questão da participação dos membros da sociedade em prol do bem comum. Há alguns anos atrás, os meios de participação social eram restritos, e daí também o conceito de que cidadão era aquele sujeito detentor do direito de voto.
A nossa atual constituição federal trouxe enorme contribuição para a ampliação da noção de cidadania, através da instituição de diversos instrumentos de participação popular. Foi um grande passo, e por isso é chamada de “constituição cidadã”. A partir daí, algumas questões onde o abuso era mais evidente ganharam destaque e contribuíram ainda mais para a evolução da cidadania, como é o caso das questões de proteção aos direitos do consumidor e do agigantamento dos problemas …

DEMOLIÇÃO DOS QUIOSQUES NA PRAIA DAS CONCHAS E ILHA DO JAPONÊS

Na sexta-feira passada (15), aconteceu a demolição de quiosques na Praia das Conchas e na Ilha do Japonês por fiscais do INEA. Incrível a forma autoritária como as coisas acontecem hoje! Parece que o desrespeito e a força têm sido os principais instrumentos para atingir os objetivos! A questão ali estava sub judice, não havia ainda sentença determinando a demolição, como podem ver abaixo na tramitação do processo. E ainda, a forma como foram feitas as demolições revela total despreparo. Não respeitaram os carrinhos de ambulantes ali guardados, destruíram TUDO, quebraram vidros sem o menor cuidado e preocupação, deixando os pedaços espalhados pela areia da praia, agredindo aquele ambiente natural. Muito triste ver como tornou-se comum resolver as coisas "na marra". Falta total de respeito com anos de trabalho, afinal os quiosques pertenciam a trabalhadores e foram demolidos sem decisão judicial para tal. Seria muito bom saber o que a prefeitura tem a dizer sobre esse triste, lame…

POESIA "COM LU", DE HAIRON HERBERT DE FREITAS

Linda, maravilhosa poesia!!

Com Lú
O amor não acaba, o amor só aumenta. Experimente uma frase, Espere mais e comente.
Seja velho, seja jovem, Esqueça o tempo que passou. O momento é agora, Aproveite tudo com amor.
Não chore, não clame, Seja firme, seja honesto. Não viva mau seus sentimentos, Aos restos estranhos, acalento.
Contudo o amor revigora, Mesmo no atrapalho da hora, Volta sempre sem demora.
O amor é sem fim, É eterno em mim, Consciente estou, Quando estou com amor.
Hairon H. de Freitas 15/7/2019