Pular para o conteúdo principal

É PRECISO PASSAR O PAÍS A LIMPO

 Mateus Simões - Mestre em Direito Empresarial, procurador concursado da ALMG e professor universitário. Vereador em Belo Horizonte pelo NOVO.
     
por Mateus Simões

Nunca me enganei sobre Temer ou Aécio, como não me iludo em relação a Lula, Renan ou Pimentel. O que choca nos últimos episódios da Lava Jato é menos a corrupção exposta e mais propriamente a desfaçatez de quem continua operando os grandes “esquemas” mesmo com todas as denúncias e delações já feitas.

Ver um presidente, um senador ou um deputado negociando propinas como quem conversa sobre futebol é vergonhoso e deprimente – mas é também educativo, ao reforçar que a limpeza está ainda no começo e toda uma geração de políticos tem de ser expurgada do ambiente público. Um tapa na cara, como gosto de dizer, de quem paga por isso – o cidadão comum, pagador de impostos.

Esse choque tem de servir para lembrar que a operação Lava Jato alcança todos os velhos partidos e oligarquias políticas, não por coincidência ou perseguição, mas porque se entregaram ao atalho fácil e lucrativo da corrupção.

Com alguma frequência me perguntam por que continuo advogando e dando aulas, mesmo depois de ser eleito, e repito: política não é profissão. Quem vive de política acaba achando normal criar e usar benefícios pagos pelo contribuinte e negociar interesses públicos para vantagens pessoais ou manutenção de poder. Políticos precisam ser movidos pelo desejo de fazer mais e não pelo desejo de manutenção dos esquemas e dos privilégios.
Esse é um dos motivos que reforça meu orgulho de ter me filiado ao NOVO, um partido fundado por não-políticos, que não usa dinheiro público, não admite conchavos, submete seus candidatos a processos seletivos e vai ajudar a mudar o Brasil. Meus votos, em 2016, foram os votos dos que não admitem que as coisas continuem no estado em que estão. E a minha eleição é a primeira de várias que virão, de pessoas comuns que resolveram ocupar o espaço deixado aberto por esse tipo de gente que vinha sendo eleita. Como gosto de dizer, repetindo minha avó: casa a gente limpa é por dentro.

Não me engano: a velha política continua por aí e vai insistir em tentar se vender como novidade, como indignada. Basta ver o falso tom de arrependimento da carta da JBS, na mesma linha do que disse a Odebrecht. Os mesmos carregadores de malas de dinheiro, flagrados em áudio e vídeo rifando os interesses do país, que querem parecer vítimas ou perseguidos pela imprensa. Que sejam perseguidos, até o último deles. Que sejam denunciados, condenados e expulsos – para sempre – do ambiente político brasileiro.

Vai doer, vai retardar a recuperação econômica, mas é hora de passar o Brasil a limpo, sem recuos.

Ao final, tudo passado e revirado, o Brasil terá outra chance. Não há milagres, mas sempre há saídas para quem está disposto a fazer o que é certo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CIDADANIA NOS DIAS ATUAIS

Cidadania é um termo cujo significado encontra-se em constante evolução, sendo modificado e ampliado através da história. Já esteve ligado somente ao exercício de direitos e deveres políticos, mas hoje, devido à evolução das relações sociais, possui um alcance muito maior que envolve também a questão da participação dos membros da sociedade em prol do bem comum. Há alguns anos atrás, os meios de participação social eram restritos, e daí também o conceito de que cidadão era aquele sujeito detentor do direito de voto. A nossa atual constituição federal trouxe enorme contribuição para a ampliação da noção de cidadania, através da instituição de diversos instrumentos de participação popular. Foi um grande passo, e por isso é chamada de “constituição cidadã”. A partir daí, algumas questões onde o abuso era mais evidente ganharam destaque e contribuíram ainda mais para a evolução da cidadania, como é o caso das questões de proteção aos direitos do consumidor e do agigantamento dos

TEXTO EXCELENTE SOBRE RESILIÊNCIA

Como se forma um gênio como o escultor Auguste Rodin?   por Regis Mesquita   Blog www.psicologiaracional.com.br Em 1840 nasceu um gênio chamado Auguste Rodin? Não, ele se tornou um gênio , nasceu com potencialidades, vocações e plano de vida. A sua genialidade foi o fruto final de um longo processo de estudos, tentativas, erros, treinamentos, aprimoramentos, fracassos. Para cada obra bem feita, ele deve ter tido pelo menos uns 400 fracassos. Olhando pelo lado da proporção, o genial Rodin foi um fracassado. O pior vem agora: para cada obra Genial, para cada "obra prima", ele deve ter tido pelo menos uns mil fracassos (obviamente, estes números são projeções minhas). Rodin era pobre, foi rejeitado três vezes ao tentar entrar em escolas de artes. Mas, ele tinha uma arma infalível: ele brincava com a arte. Em nossa sociedade nós dizemos: "isto não é brincadeira, vamos fazer as coisas com seriedade. Se seguisse este preceito, Rodin teria si

PARA HENRY BOREL

Não mais o riso fácil de criança! Os bonecos a lutar, Impulsionados por frágeis mãozinhas, Agora estão inertes Como inerte está  O seu corpinho sofrido. Não mais a alegria E o gosto da liberdade Dos dias fora do calabouço, O seu cárcere de dor. Quantos gritos mudos Em abraços silenciosos. Quantas dores caladas Gritadas em olhar de pavor. Quantos pedidos no choro fácil, No rostinho escondido no ombro No colo de sua algoz. Uma criança somente, E somente só. Única! Seu riso só seu, Seu olhar, sua identidade. Sua voz, seu abraço Únicos! Sua voz agora é silêncio, A mesma voz  Que animava brinquedos A mesma voz  Que implorava socorro na fala curta. Pai, me deixa ficar contigo! A luz aqui Pra sempre se apaga. Ficarão a saudade, E consciências sem paz. Mas a luz vive além Resplandece linda entre anjos. O anjo venceu o leão da arena E em outras esferas foi sorrir, Foi brincar, Foi viver. Liberto está, Para sempre, Das mãos frias de duros golpes, Dos abraços fortes de ódio E da tortura, Que dói