Pular para o conteúdo principal

FUNDO ELEITORAL - VERGONHA NACIONAL

por Luciana G. Rugani - Mateus Simões de Almeida faz, no texto abaixo, uma ótima reflexão sobre o malfadado fundo eleitoral aprovado semana passada no Senado Nacional. Mateus é professor e político. Assim como Gabriel Azevedo, Mateus também é vereador em Belo Horizonte, segue dando suas aulas e não faz da política profissão. Faz parte do partido NOVO, cujo princípio básico é não aceitar políticos profissionais. Mateus tem seguido a forma de política que anunciou que faria, sem acordos escondidos, sem troca de favores e sem desperdícios. Para ele, político não é autoridade e sim servidor público. Vale a pena ler o texto.
Com a palavra, Mateus Simões

Mestre em Direito Empresarial, procurador concursado da ALMG e professor universitário. Vereador em Belo Horizonte pelo NOVO.

Fundo eleitoral - vergonha nacional
por Mateus Simões
Os senadores deram uma prova, na última semana, de que não dão a mínima importância para a opinião pública, estando dispostos a sacrificar tudo e todos para garantir a manutenção do poder e o foro privilegiado de seus comparsas: aprovaram a criação do fundo eleitoral, que desvia R$ 1,7 bilhão dos cofres públicos, em anos eleitorais, para abastecer os caixas dos partidos...

A quem serve o fundo eleitoral? Aos atuais detentores de cargos políticos que querem se servir do dinheiro público, eternizando-se por lá e garantindo que o sistema continue como sempre foi. Eunício, Renan, Gleisi, Aécio, Collor e esse conjunto de equívocos que conduzimos ao Congresso Nacional – eles são os beneficiários da medida.

Quem paga por isso? Cada um de nós, com dinheiro dos impostos que são arrancados à força de quem já trabalha cinco meses no ano para custear a farra com dinheiro público. Isso, enquanto falta segurança, faltam escolas, faltam hospitais. Só não faltam recursos para se distribuir a políticos.

Por que votaram isso agora? Com o fim das doações de pessoas jurídicas, proibidas pelo STF em 2015 e o cerco da Lava Jato sobre caixa 2, a alternativa para quem deseja continuar comprando voto foi essa: pegar dinheiro público para gastar bilhões e eleger quem vai continuar roubando e jogando fora outros bilhões, ano após ano.

O que pode ser feito? Não podemos aguentar calados o contínuo desrespeito da população por quem é detentor de mandato. Temos de protestar, enviar e-mails aos deputados, que ainda votarão a medida; gritar ao vento e nas redes sociais contra esse absurdo. E, ao final, seja como for, precisamos garantir que nenhum deles, desta corja corrupta e corporativista, volte para o Congresso após a eleição de 2018. Não vamos reeleger ninguém! #RenovaTudo2018

Quem tem se manifestado contra o fundo? O NOVO é o único partido que não se utiliza do Fundo Partidário e se opõe, pública e frontalmente, ao uso de dinheiro público para promover campanhas políticas. Permitir que o sistema continue se alimentando do nosso dinheiro é inaceitável.

O passado e o futuro. Ao longo dos últimos meses vi ficar cada vez mais evidente quem são as pessoas que querem mudar o país e quem são os oportunistas que pretendem manter as benesses oficiais, ainda que sob nova roupagem. Cada um deve ficar atento e julgar seus votos passados com base no que tem sido feito pelos seus deputados e senadores, hoje. Como se comportaram nas grandes decisões nacionais – pensaram no país, ou continuaram pensando neles?

Talvez não haja mais vergonha entre os membros do Congresso, para defender o que só interessa a eles. Mas certamente há ainda força entre nós, para garantir que eles se despeçam do poder.

Fonte: http://hojeemdia.com.br/opini%C3%A3o/colunas/mateus-sim%C3%B5es-1.456690/fundo-eleitoral-vergonha-nacional-1.563006

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CIDADANIA NOS DIAS ATUAIS

Cidadania é um termo cujo significado encontra-se em constante evolução, sendo modificado e ampliado através da história. Já esteve ligado somente ao exercício de direitos e deveres políticos, mas hoje, devido à evolução das relações sociais, possui um alcance muito maior que envolve também a questão da participação dos membros da sociedade em prol do bem comum. Há alguns anos atrás, os meios de participação social eram restritos, e daí também o conceito de que cidadão era aquele sujeito detentor do direito de voto. A nossa atual constituição federal trouxe enorme contribuição para a ampliação da noção de cidadania, através da instituição de diversos instrumentos de participação popular. Foi um grande passo, e por isso é chamada de “constituição cidadã”. A partir daí, algumas questões onde o abuso era mais evidente ganharam destaque e contribuíram ainda mais para a evolução da cidadania, como é o caso das questões de proteção aos direitos do consumidor e do agigantamento dos

TEXTO EXCELENTE SOBRE RESILIÊNCIA

Como se forma um gênio como o escultor Auguste Rodin?   por Regis Mesquita   Blog www.psicologiaracional.com.br Em 1840 nasceu um gênio chamado Auguste Rodin? Não, ele se tornou um gênio , nasceu com potencialidades, vocações e plano de vida. A sua genialidade foi o fruto final de um longo processo de estudos, tentativas, erros, treinamentos, aprimoramentos, fracassos. Para cada obra bem feita, ele deve ter tido pelo menos uns 400 fracassos. Olhando pelo lado da proporção, o genial Rodin foi um fracassado. O pior vem agora: para cada obra Genial, para cada "obra prima", ele deve ter tido pelo menos uns mil fracassos (obviamente, estes números são projeções minhas). Rodin era pobre, foi rejeitado três vezes ao tentar entrar em escolas de artes. Mas, ele tinha uma arma infalível: ele brincava com a arte. Em nossa sociedade nós dizemos: "isto não é brincadeira, vamos fazer as coisas com seriedade. Se seguisse este preceito, Rodin teria si

PARA HENRY BOREL

Não mais o riso fácil de criança! Os bonecos a lutar, Impulsionados por frágeis mãozinhas, Agora estão inertes Como inerte está  O seu corpinho sofrido. Não mais a alegria E o gosto da liberdade Dos dias fora do calabouço, O seu cárcere de dor. Quantos gritos mudos Em abraços silenciosos. Quantas dores caladas Gritadas em olhar de pavor. Quantos pedidos no choro fácil, No rostinho escondido no ombro No colo de sua algoz. Uma criança somente, E somente só. Única! Seu riso só seu, Seu olhar, sua identidade. Sua voz, seu abraço Únicos! Sua voz agora é silêncio, A mesma voz  Que animava brinquedos A mesma voz  Que implorava socorro na fala curta. Pai, me deixa ficar contigo! A luz aqui Pra sempre se apaga. Ficarão a saudade, E consciências sem paz. Mas a luz vive além Resplandece linda entre anjos. O anjo venceu o leão da arena E em outras esferas foi sorrir, Foi brincar, Foi viver. Liberto está, Para sempre, Das mãos frias de duros golpes, Dos abraços fortes de ódio E da tortura, Que dói