Pular para o conteúdo principal

PRAIA DO FORTE ABANDONADA PELA FISCALIZAÇÃO

Hoje fomos surpreendidos com a notícia de uma barraquinha de pizza com botija de gás que pegou fogo na Praia do Forte. Digo "surpreendidos", porém não tanto, pois, se considerarmos a total falta de fiscalização e abandono em que se encontra a praia, podemos dizer que era algo anunciado.

Sabemos que acidentes podem acontecer, porém, geralmente, em relação ao uso de gás, se está de acordo com as normas de segurança e em perfeitas condições de funcionamento, a probabilidade de acidentes é mínima, quase zero. E, como se trata de uma atividade na praia, o mínimo que esperamos é que seja devidamente licenciada e constantemente fiscalizada.

Não temos visto fiscais na praia! E isso digo em relação a vários tipos de problema. Não vemos fiscalização destas barraquinhas com gás, não vemos fiscalização coibindo o som em excesso, carros e bugres na areia e pessoas jogando bola ou frescobol com a praia cheia. Em relação ao som, no início do mês aconteceu um fato no mínimo esdrúxulo: um grupo de turistas chegou na praia com uma caixa de som enorme, essas de som profissional mesmo, com duas baterias de carro para mantê-las em funcionamento. Chegaram, instalaram e pronto! Som em alto volume, praia lotada. Falta total de bom senso e educação. Fiscalização? Nenhuma! Passaram assim o dia de praia!

Outra questão relevante: não vemos medidas de preservação e cuidado com a vegetação nativa, e também não há nenhuma fiscalização nesse caso, a ponto de os barraqueiros fazerem livremente uma "escadinha" com sacos de areia por cima da vegetação, como um atalho, simplesmente para não darem a volta pela areia, no caminho adequado, e pegarem a rampa de acesso.

Tudo isso são questões que poderiam facilmente serem resolvidas se houvesse uma fiscalização estratégica com um planejamento de ações diárias, constantes, e intensificadas na alta temporada. Se queremos melhorar essa questão do turismo, o primeiro passo é cuidar das ações de fiscalização, pois a cidade está virando um modelo do "aqui tudo pode". Os maiores absurdos estão acontecendo em Cabo Frio! São "flanelinhas" mandando estacionar em áreas de preservação e cobrando antecipadamente quantias absurdas, são "turistas" que vêm para a cidade em alta temporada para exercerem atividades ilícitas, enfim, um caos geral. E a imagem que levam é que a malandragem pode vir e atuar à vontade em Cabo Frio, por isso é preciso que o poder público intensifique a fiscalização dentro da legalidade e mostre que não é assim que funciona.

É preciso lembrar que a Praia do Forte é o principal cartão postal. Se está assim, o que podemos dizer do restante da cidade?

Luciana G. Rugani


Sacos de areia em cima da vegetação, atalho dos barraqueiros destruindo a vegetação nativa
Foto: divulgação
Em laranja, barraquinha pegando fogo na Praia do Forte.
Imagem: Flávio Santos

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CIDADANIA NOS DIAS ATUAIS

Cidadania é um termo cujo significado encontra-se em constante evolução, sendo modificado e ampliado através da história. Já esteve ligado somente ao exercício de direitos e deveres políticos, mas hoje, devido à evolução das relações sociais, possui um alcance muito maior que envolve também a questão da participação dos membros da sociedade em prol do bem comum. Há alguns anos atrás, os meios de participação social eram restritos, e daí também o conceito de que cidadão era aquele sujeito detentor do direito de voto. A nossa atual constituição federal trouxe enorme contribuição para a ampliação da noção de cidadania, através da instituição de diversos instrumentos de participação popular. Foi um grande passo, e por isso é chamada de “constituição cidadã”. A partir daí, algumas questões onde o abuso era mais evidente ganharam destaque e contribuíram ainda mais para a evolução da cidadania, como é o caso das questões de proteção aos direitos do consumidor e do agigantamento dos

DEMOLIÇÃO DOS QUIOSQUES NA PRAIA DAS CONCHAS E ILHA DO JAPONÊS

Na sexta-feira passada (15), aconteceu a demolição de quiosques na Praia das Conchas e na Ilha do Japonês por fiscais do INEA. Incrível a forma autoritária como as coisas acontecem hoje! Parece que o desrespeito e a força têm sido os principais instrumentos para atingir os objetivos! A questão ali estava sub judice , não havia ainda sentença determinando a demolição, como podem ver abaixo na tramitação do processo. E ainda, a forma como foram feitas as demolições revela total despreparo. Não respeitaram os carrinhos de ambulantes ali guardados, destruíram TUDO, quebraram vidros sem o menor cuidado e preocupação, deixando os pedaços espalhados pela areia da praia, agredindo aquele ambiente natural. Muito triste ver como tornou-se comum resolver as coisas "na marra". Falta total de respeito com anos de trabalho, afinal os quiosques pertenciam a trabalhadores e foram demolidos sem decisão judicial para tal. Seria muito bom saber o que a prefeitura tem a dizer sobre esse triste,

TEXTO EXCELENTE SOBRE RESILIÊNCIA

Como se forma um gênio como o escultor Auguste Rodin?   por Regis Mesquita   Blog www.psicologiaracional.com.br Em 1840 nasceu um gênio chamado Auguste Rodin? Não, ele se tornou um gênio , nasceu com potencialidades, vocações e plano de vida. A sua genialidade foi o fruto final de um longo processo de estudos, tentativas, erros, treinamentos, aprimoramentos, fracassos. Para cada obra bem feita, ele deve ter tido pelo menos uns 400 fracassos. Olhando pelo lado da proporção, o genial Rodin foi um fracassado. O pior vem agora: para cada obra Genial, para cada "obra prima", ele deve ter tido pelo menos uns mil fracassos (obviamente, estes números são projeções minhas). Rodin era pobre, foi rejeitado três vezes ao tentar entrar em escolas de artes. Mas, ele tinha uma arma infalível: ele brincava com a arte. Em nossa sociedade nós dizemos: "isto não é brincadeira, vamos fazer as coisas com seriedade. Se seguisse este preceito, Rodin teria si