Pular para o conteúdo principal

SEMANA TEIXEIRA E SOUSA - PARTE DOIS

Hoje, no Blog do Totonho, apresento a segunda parte da minha explanação em comemoração à Semana Teixeira e Sousa e o meu poema "Sal em Memórias", vencedor do 3o. lugar do Prêmio Teixeira e Sousa de literatura, ano 2023:
34ª edição da Semana Teixeira e Sousa Cabo Frio Prêmio Teixeira e Sousa de Literatura Blog do Totonho
Na semana passada, falei sobre a 34ª edição da Semana Teixeira e Sousa e apresentei meu poema classificado em 9º lugar no Prêmio Teixeira e Sousa, ano 2022.
Teixeira e Sousa (1812-1861) foi um escritor cabo-friense. Estudiosos pesquisadores apontaram sua obra "O Filho do Pescador" (1843) como o primeiro romance brasileiro. 
A importância de destacarmos e falarmos sobre Teixeira e Sousa possui um aspecto geral, pelo fato de Teixeira ter aberto as portas para o romance nacional e, portanto, seu nome ser vital no aprofundamento do estudo desse gênero literário, e também um importante aspecto local e regional por ter sido o escritor nascido em Cabo Frio, cidade que, para alguns pesquisadores, é a 7ª cidade mais antiga do Brasil e, para outros, a 5ª cidade mais antiga do país. Daí ser extremamente válido que a sociedade se sensibilize com esse fato, valorizando o escritor, buscando estudar sua vida e suas obras e fazendo de Cabo Frio um lugar conhecido, não somente por suas belezas naturais, mas por sua história e pelos nomes que dela saíram para construir nossa literatura, em especial, Teixeira e Sousa.
Hoje apresento o poema, de minha autoria, classificado em 3º lugar da categoria "público geral", gênero "poema", do Prêmio Teixeira e Sousa, ano 2023. Nessa edição, o tema central foi a história das salinas, a importância delas no desenvolvimento de Cabo Frio e região e toda essa história como tema da "Canção do Sal", de  Milton Nascimento. 
Em meu poema, faço um mergulho no tempo. Volto à época dos povos indigenas e, a cada giro do moinho, avanço alguns séculos na história do sal em nossa região.
Segue:

Sal em memórias

Sal do mar
que à terra salga.
Diversidade é sabor,
secularidade das mãos que tocam,
tempero de seu labor.

A brisa roda o moinho,
faz o passado presente.
O grânulo, na água, esparge o brilho.
Nele, mergulho silente.

Sal do mar
que à terra salga.
Sal da terra originária,
tesouro de Gecay,
riqueza da culinária.

Um giro a mais do moinho
faz-me, no tempo, avançar.
Vejo o branco da montanha
e o negro a labutar.

Sal do mar
que à terra salga.
Vejo surgir o ouro branco
carregado, ensacado
e os negros..."Coroados".

Sal do mar
que à terra salga.
Esperança do pai a cuidar
“Pra vida de gente levar”.
Vida salgada demais pra herdar.

Sal do mar
que à terra salga.
Salina a gerar cidade.
Para uns, prosperidade.
A outros, insalubridade.

Gira, por fim, o moinho,
faz o presente voltar.
Água que vira sal na salina
Não mais ao sol secar.

Sal do mar
Que à terra salga.
Ouço Bituca a cantar,
em notas, eternizar:
“Água vira sal lá na salina,
Quem diminuiu água do mar?”.

Sal do mar
que à terra salga.
Deixa vir água do mar,
moinho de vento girar
e a lembrança salinar.

Luciana G. Rugani 
Escritora, poetisa, pensadora
e experimentadora da arte e da literatura

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

4ª EDIÇÃO DO BARALHARTE - TEMAS DA ATUALIDADE

Ontem, sábado, aconteceu a 4ª edição do BARALHARTE!  Trata-se de um encontro de debatedores sobre quatro temas atuais, representados pelos quatro naipes do baralho e por quatro regiões diferentes de nosso país. Cada debatedor leva um tema que será debatido pelos demais e também por convidados presentes. Os debatedores desta edição foram eu, Luciana, representando o estado do Rio de Janeiro, Gilvaldo Quinzeiro, representando o Maranhão e Amaro Poeta, representando Pernambuco. Fernanda Analu, representando Santa Catarina, em razão de um compromisso de última hora, não pôde participar. Mas contamos também com as convidadas Mirtzi Lima Ribeiro e Valéria Kataki e com os convidados Hairon Herbert, Julimar Silva, Ricardo Vianna Hoffmann e Tarciso Martins. Agradeço a Gilvaldo Quinzeiro pelo convite e pela oportunidade de participar de um encontro tão engrandecedor, oportunidade que temos para aprender muito sobre variados assuntos. Cliquem abaixo para assistir: Luciana G. Rugani

POEMA - DIREITOS HUMANOS

Direitos Humanos Humanos não parecem ser Os que a vida vivem a abater. Humanos não parecem ser Os que a liberdade insistem em tolher. Humanos não parecem ser Os que a equidade negam reconhecer. Vida, com dignidade, Liberdade, com respeitabilidade, Respeito à diversidade, Educação, com qualidade. Quesitos de uma sociedade Que reconhece a humanidade. Não há que ser humano direito Para um direito humano merecer. Ser perfeito não é o preceito  Basta apenas o ser! Será mera utopia Em meio à distopia? Direitos humanos, como há de ser Onde há mais desumano que humano ser? Luciana G. Rugani  2/9/2022

1º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE CABO FRIO - FINCCA

No período de 14 a 17 de maio, na cidade de Cabo Frio, acontece a 1ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cabo Frio - FINCCA. Trata-se de um evento pioneiro que acontecerá em diversos pontos culturais de Cabo Frio e que visa a celebração da sétima arte na cidade. Essa primeira edição terá o mar como tema de todas as suas atividades e contará com uma programação variada e gratuita. Serão 26 filmes gratuitos distribuídos em diferentes mostras, workshops, oficinas e atividades formativas, sendo quatro mostras (internacional, latino-americana, infantil e grandes clássicos).  Além disso, o festival contará com concurso de poesias e de fotografias, tudo dentro da mesma temática. O festival é uma realização da ONG Bem Querer, com apoio, via emenda parlamentar, do deputado estadual do Rio de Janeiro, Flavio Serafini; da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro - Secec - e do Cabo Frio Convention & Visitors Bureau. E, dando início às atividades do C...