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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas da Lu

AS GRADES DA LIBERDADE

Este texto foi publicado no blog Árvore das Letras, do escritor Leandro Bertoldo:  De vez em quando, o presente costuma me levar ao passado e, do nada, chegam até mim lembranças de tempos atrás, quais sejam: fatos, objetos, pessoas ou até mesmo a recordação de cada espaço de antigas residências nas quais vivi. Dias atrás, uma dessas lembranças foi sobre as grades de ferro pintado que havia nas janelas do apartamento onde vivi quando criança. Lembrei-me da fala de minha mãe sobre as grades: "Elas são fortes, não soltam. Foram bem instaladas e chumbadas pelo vovô". Ela se referia ao meu avô, pai de meu pai, que era um gênio na criatividade e nos segredos da construção civil.  E eu lembro que, de fato, as grades eram fortes! Eram de ferro, porém pintadas de cinza chumbo e, por isso, não enferrujavam. Eram compostas por, talvez, umas dez hastes horizontais e duas verticais, fora as laterais. Em todos os quartos e na sala elas estavam presentes. Morávamos no terceiro andar e elas ...

VALE A PENA TEMER O INEVITÁVEL?

Hoje, no Blog do Totonho, falo sobre o medo do inevitável e sobre como ele consegue crescer juntamente conosco, pois assim permitimos que seja à medida que deixamos de ser crianças e nos tornamos adultos. Em dias calmos e ensolarados de férias, ou em domingos de sol na praia, quem nunca se dedicou, por alguns minutos, à contemplação dos pássaros a voar no céu? Alguns em posição bem alta, como os urubus, e outros mais baixos, ou até rentes ao chão, mas todos ali, sem medo, entregando-se ao voo. Eu estava assim, observando o céu claro, de puro azul, e bem lá no alto alguns urubus a voar.  Fiquei imaginando as condições de voo. A qualquer momento, pode passar um avião e atropelá-los fatalmente. Ou ainda, em meio a pesadas nuvens, estão sujeitos a fortes tempestades. E ainda assim entregam-se ao voo sem medo. Ao mesmo tempo, eles podem pensar: "estranho, aqueles seres lá embaixo, altos, andando nas ruas em apenas dois apoios, eles podem facilmente se desequilibrar e cair!" E, de ...

5ª EDIÇÃO LEITURAS NO MART - MEMÓRIA E IDENTIDADE FEMININA

Hoje, no Blog do Totonho, falo sobre o primeiro encontro do ano de 2026 do projeto "Leituras no Mart", agora organizado pelo coletivo #MulheradaqueEscreve e com apoio institucional da Sophia Editora, e que teve como objeto de estudo o conto "Sem Enfeite Nenhum", de Adélia Prado. E ainda, considerando o mês da mulher, faço algumas importantes considerações e alertas que o texto me proporcionou: Terça-feira (3), no Museu de Arte Religiosa e Tradicional - Mart, em Cabo Frio, aconteceu a 5a. Edição do projeto "Leituras no MART", agora organizado pelo coletivo #MulheradaqueEscreve e com apoio institucional da Sophia Editora. Primeira edição de 2026, o encontro abriu o ano com o tema "Memória e Identidade Feminina" e o debate foi em torno do conto "Sem Enfeite Nenhum", da renomada escritora mineira, Adélia Prado. O conto traz a narrativa de uma filha sobre sua mãe, retratando suas crenças, seus medos, sua religiosidade e seu jeito de ser. Um ...

NATO PER LA SCARPETTA

Hoje, no Blog do Totonho, algumas reflexões sobre o universo, sobre cada instante de nossa vida e sobre o "degustar a vida": Há certas verdades das quais costumamos nos esquecer, ou das quais pouco nos lembramos. E entre elas estão alguns postulados científicos dos quais eu mesma não costumo me lembrar. Hoje, dando uma rápida olhada nas redes sociais, passei por um vídeo no qual se dizia que nunca um mesmo lugar será o mesmo daí a um segundo. E, por consequência, nenhum momento seria idêntico ao outro, pois jamais a sua localização no tempo seria novamente alcançada por qualquer um de nós, humanos. E para embasar tais afirmações, lembrou que a galáxia em que vivemos viaja pelo universo a uma velocidade de algo em torno de 1,3 milhões de km/h, o sol viaja ao redor do centro da galáxia a uma velocidade de 828mil km/h e a Terra gira em torno de seu próprio eixo a uma velocidade em torno de 1.670 km/h. O movimento nunca parou, e, considerando todas essas condições, a Terra nunca ...

RETIREM AS PLACAS

No meu artigo de hoje, no Blog do Totonho, apresento o resumo de alguns discursos em relação à dinâmica arbitrária à qual temos assistido, nos últimos tempos, e teço algumas considerações: Nos dias atuais, quando a ordem mundial se agita ao vento de uma desordem tirânica, dois discursos me chamaram a atenção e vale a pena falar um pouco sobre eles. O primeiro foi o discurso da groenlandesa e fundadora do Partido da Cooperação, Tillie Martinussen. Destacarei alguns pontos principais: Tillie inicia seu discurso falando um pouco sobre a cultura e sobre os valores dos groenlandeses. De minha parte, percebi uma visão diferente e muito mais de acordo com as tantas transformações do nosso planeta, principalmente o esgotamento da capacidade ambiental, que revelam um planeta saturado de tanta exploração e um sistema capitalista cada vez mais predatório e sem limites éticos, legais ou naturais. Tillie afirma que o presidente estadunidense certamente não conhece o povo da Groenlândia. Segundo ela...

O DESAFIO DA ESCRITA

Hoje, no Blog do Totonho, falo sobre o desafio que a escrita tem representado pra mim nos últimos tempos: Nos tempos atuais, em que cada dia nos surpreende com acontecimentos reveladores da ilimitada maldade humana, a escrita tem sido um desafio para mim. A minha motivação na escrita sempre tem sido criar conteúdos capazes de agregar reflexões positivas, seja em prol de uma maior consciência social como também de um aprimoramento individual, e a pergunta que, primeiramente, faço, a mim mesma, ao escrever é "qual a mensagem principal que desejo transmitir com este texto?". Acontece que, nos últimos meses, quando me proponho a escrever algo, tem sido difícil cumprir esse propósito ligado à minha motivação. Começo a escrever e, quando vejo, as duras constatações advindas da maturidade, que permite enxergar de maneira mais clara os tantos tresloucados fatos sociais que acometem o cotidiano, misturam-se à insatisfação e ao medo e fazem com que as palavras soem apenas como desabafo...

A LEI DA TRANSFORMAÇÃO

Saiu hoje a edição n° 66, mês de dezembro, da Revista Digital Aldeia Magazine. A minha coluna dessa edição apresenta a crônica "A Lei da Transformação", na qual falo sobre  a reflexão que o simples fato de tomar um comprimido me propiciou:  Às vezes, um gesto usual e rotineiro pode nos levar a uma viagem reflexiva de profundas conclusões. Hoje, o simples gesto de tomar um comprimido me fez pensar na transformação que permeia tudo o que existe no universo. O comprimido, ao ser engolido com água, começa a se desfazer em meio ao líquido. Chega ao nosso estômago e dissolve-se, por completo, naquele meio de total acidez. Seu princípio medicamentoso, entretanto, segue atuante, ainda que em nível molecular, em dimensão invisível a olho nu. Esse medicamento, então, cumprirá sua função curativa ou restauradora em nosso organismo. Uma matéria, antes palpável e bem definida, não existe mais em nível denso, porém existe em essência e de maneira bem mais sutil. Assim refletindo, enquanto ...

ENSAIO - O MEDO COMO FERRAMENTA DE CONTROLE

Hoje, no Blog do Totonho, um ensaio sobre o medo como ferramenta de controle: Falar sobre o medo como ferramenta de controle naturalmente nos remete à ideia de sociedades reguladas pela imposição da força e pela fragilidade institucional. Governos autoritários e ditaduras costumam governar utilizando a disseminação do medo. Aliás, disseminar a sensação de caos social, do qual o medo é parcela significativa, é a estratégia predominante para que governos autoritários cheguem ao poder. O professor Castro Rocha, historiador, professor titular de Literatura Comparada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, tornou-se especialista e estudioso das estratégias de poder da extrema direita. Ele é o autor da aula magna "A semente do caos", na qual aborda, com muita clareza e didática, as relações causais e circunstanciais de elementos presentes na "cartilha" autoritária, e o medo é um desses elementos. (*) Outro fator agravante é quando há carência de direitos socia...

4ª EDIÇÃO LEITURAS NO MART - REFLEXÕES SOBRE A ESCRAVIZAÇÃO

Hoje, no Blog do Totonho, reflexões que fiz por ocasição da última edição do ano do Círculo de Leitura no Museu de Arte Religiosa e Tradicional - MART, em Cabo Frio: Texto de minha autoria em homenagem da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia - ALSPA ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra No dia 4 passado, aconteceu a última edição do ano do projeto "Leituras no MART - Memória", organizado pelo Círculo de Leitura da Sophia Editora, aqui em Cabo Frio. O conto, objeto de leitura e de debate da noite, foi "Aspino e o Boi", da escritora quilombola Gessiane Nazário. Gessiane é quilombola da Rasa, em Armação dos Búzios, e autora do livro "Revolta do Cachimbo". O conto "Aspino e o Boi" constitui o primeiro livro infantil da autora, porém é uma história real de seu avô Aspino e seu conteúdo interessa também a adultos. Os acontecimentos pós-escravização, registrados nas obras de Gessiane, são relevantes e reveladores de muitos porquês e de um...

3ª EDIÇÃO LEITURAS NO MART - DESDOBRAMENTOS SOBRE O DESEJO

Hoje, no Blog do Totonho, falo sobre um dos mais diversos pontos abordados por ocasião da leitura do texto "Felicidade Clandestina", na última terça-feira:  Na última terça-feira (7), aconteceu a 3ª edição do projeto "Leituras no MART - Memória", organizado pelo Círculo de Leitura da Sophia Editora, em Cabo Frio. O conto dessa edição foi "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector, publicado originalmente em 1971. Após a leitura do texto, u m rico debate se formou e foram levantados vários pontos e várias visões interessantes. Dentre os pontos levantados, falamos sobre a questão do desejo.  Entre os diversos aspectos debatidos sobre o desejo, considero urgente uma reflexão sobre o quanto a captação do desejo tornou-se, hoje em dia, o foco da indústria e de grandes empresas comerciais.  Sempre em nome do lucro cada vez maior, da ânsia de lucro a qualquer custo, quando questões como ética, humanização e responsabilidade social são deixadas de lado, podemo...

CONTRADIÇÕES PONTUAIS

Este é o texto que foi publicado em 26/9/2025, no Blog do Totonho: Hoje em dia acontecem coisas tão sem nexo, e às vezes tão ridículas, que me ponho a pensar a que ponto chega a falta de coerência do ser humano. Indago também a que ponto chega a idolatria, o pensar político sem lógica, sem dados reais e concretos, tomado pela negação da realidade e pela construção de "realidades" próprias e fictícias, justificadas por argumentos emocionais e meramente apaixonados. Nessa quarta-feira, circularam nas redes sociais postagens "detonando" um restaurante em Cabo Frio simplesmente por uma frase exposta no estabelecimento e com a qual alguns não concordaram. O restaurante costuma expor uma frase por certa periodicidade (não sei dizer ao certo se a frase é trocada diariamente ou semanalmente). Sempre frases espirituosas e com muito bom humor e inteligência, porém a frase que gerou todo o "mi mi mi" foi, como não poderia deixar de ser, uma frase com cunho político. ...

O DESPERTAR INDIVIDUAL E A TRANSFORMAÇÃO DA SOCIEDADE HUMANA

Hoje, na minha coluna, no Blog do Totonho, faço algumas considerações e reflexões sobre os últimos acontecimentos da atualidade e uma fala de personagem de novela que muito tem a ver com nossa realidade: Dois lances diferentes que, aparentemente, nada têm a ver um com o outro, mas que, juntos, na minha mente, provocaram uma reflexão que, hoje, compartilho com vocês. Um, digamos que pertence a uma esfera "macro", e o outro a uma esfera "micro": 1) a notícia sobre o envio de navios norte-americanos para a costa da Venezuela; 2) uma pequena fala do personagem Alberto, na novela "A Viagem". Quando ouvi a notícia sobre os navios norte-americanos, comecei a recordar os já infindáveis episódios de nossa história em que falam mais alto a prepotência e o uso da força como meio de autoafirmação das nações. Quantos impérios se formaram e se desfizeram durante o passar dos milênios! Quantas guerras, quantas divisões, destruições, trocas do bastão de poder. Quanto exte...

O TOSCO PADRÃO QUE SE REPETE

Hoje, no Blog do Totonho, falo sobre o mesmo tosco padrão que se repete nos casos de extrema violência que acontecem em uma sociedade em que parte de seus membros costuma se deixar levar pela ilusão dos rótulos e das aparências: O triste caso do gari assassinado, em Belo Horizonte, na última segunda-feira, possui alguns aspectos que merecem reflexão.  A vítima, um trabalhador de empresa terceirizada de limpeza pública, pai de família que, segundo depoimentos de familiares, colegas e do dono da empresa para a qual trabalhava, era um ótimo funcionário e gostava muito do que fazia. Um trabalhador que corria, em média, 10 quilômetros por dia em razão da coleta de lixo. Ele era quem era, na família e no trabalho. Seus músculos e sua força física eram trabalhados naturalmente pela pesada atividade física que seu trabalho lhe proporcionava. Já o algoz, um homem rico, morador em condomínio de luxo da região, "bombado" de forma bem artificial e exagerada, certamente devido a procedime...

INCOERÊNCIAS E DISSONÂNCIAS

Hoje, no Blog do Totonho, faço uma reflexão sobre alguns dos últimos acontecimentos e sobre as incoerências e as dissonâncias por parte de uma parcela da sociedade. Voltemos no tempo. Voltemos a 2018, quando aconteceu a prisão de Lula, em decorrência de um processo tendencioso, cheio de erros judiciais e sem provas, pleno de suposições e notoriamente direcionado a condenar, conduzido por um juiz seduzido pela promessa de vir a ser membro do Supremo Tribunal Federal - STF, caso houvesse a condenação. Imaginem se, naquela época, Lula, seus apoiadores e seus partidários no Congresso Nacional fizessem movimento em prol do impeachment de ministros do STF ou elaborassem planos para dar  fim na vida de políticos ou de ministros do STF. Imaginem se ele tivesse um filho deputado que, de fora do país, incentivasse, junto ao governo de outro país, medidas prejudiciais à economia brasileira. Imaginem se seus deputados apoiadores boicotassem os trabalhos do Congresso, prejudicando, até mesmo, a...