sexta-feira, 19 de outubro de 2012

NOVELA E VIDA REAL: REFLEXÕES


Hoje, último dia da novela da Globo "Avenida Brasil", ouvindo um programa de entrevista com pessoas do povo que disseram se identificar e admirar diversos personagens da novela, e ainda pessoas que afirmaram serem verdadeiras "Carminhas", tendo em vista o tanto que são vingativas, me pus a pensar e refletir: que sociedade é essa nossa que se identifica com vilões e mocinhos envolvidos numa trama com tanta vingança? Por que cada vez mais e mais pessoas se identificam, e até mesmo chegam a apreciar, alguns vilões? Que valores estamos cultivando? Essa identificação com os vilões não estaria revelando uma sociedade que parou no tempo em seus valores e que prefere cultivar suas dores afogando-se cada vez mais no consumismo desenfreado, nas drogas e na violência como válvula de escape? 

Nossa sociedade tem sido "educada" (ou deseducada) dessa maneira há anos pela nossa TV, mostrando este como único caminho, enquanto que em nossa história há mil exemplos de casos em que a energia de vingança e ódio foi trabalhada e conduzida de forma a propiciar a realização de grandes trabalhos de reerguimento social e pessoal; de pessoas que conseguirem trabalhar essa energia e transformá-la num poder de superação incrível, mas  que são exemplos esquecidos e nunca trazidos para nossa telinha... E percebemos isso no nosso dia-a-dia: se formos gastar nossa energia em pagar tudo com a mesma moeda, ficaríamos no mesmo lugar, "ruminando" nossa raiva, e não sobraria mais energia alguma para seguirmos em frente e realizarmos um trabalho ainda melhor em nossas vidas.

Acho que já é tempo de pararmos de simplesmente mandar "goela abaixo" o que nos é passado pela tv. Não deixar de assistir, mas assistir analisando, refletindo nas falas, nas atitudes, nos hábitos dos personagens, sem perdermos a conexão com nosso mundo real de inúmeras outras alternativas e diversos outros caminhos, fazendo paralelos com histórias de vidas de pessoas que se tornaram ícones na realidade. Analisar o que nos faz bem, o que nos traz real paz de espírito, que nem sempre é o que a telinha nos recomenda e indica como único caminho. 

Saber fazer escolhas é fundamental. Pensar sempre: o que vale mais a pena? Agasalhar a raiva no fundo do coração, protegê-la, dedicar a ela os pensamentos, as ações, toda a energia? Não estaria, dessa forma, dando-se ao fato causador desta mágoa uma prioridade não merecida?  Nessa dedicação de tanta energia para algo que não fez bem, não estaria abrindo-se mão de grande parte de si mesmo (a própria energia) em prol de alguém ou algo que (teoricamente) odiaria? Não seria melhor dedicar e intensificar a aplicação dessa energia em ações que realmente trariam benefício, paz e melhoria em nossas próprias vidas? 

Nossa energia é parte de nós mesmos. Nos é fornecida para que possamos caminhar e construir nossas vidas de uma forma saudável e positiva, pois do contrário não é construir. É algo muito precioso para ser gasto de qualquer forma. Já é tempo de maior reflexão nesse sentido, reflexão e mudança de atitudes. Caminhar pra frente, evoluir, construir. 

Luciana G. Rugani

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