segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PALAVRAS DE ANTÔNIO ROBERTO SOBRE A "MALEDICÊNCIA"


ARTIGO – Arma contra a maledicência
22 de junho de 2003
Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

Antônio Roberto,Seus ensinamentos têm me ajudado muito. Parabéns pela sua competência. Vivo hoje um problema e peço a sua ajuda. Uma pessoa que se dizia minha amiga inventou e espalhou um boato a respeito de minha conduta. Isto tem me trazido enorme sofrimento. Gostaria de compreender o que leva uma pessoa a falar mal de outras. Obrigada, desde já – Celene, de Juiz de Fora.

Toda vez que se faz algum comentário desabonador sobre o comportamento alheio ou, em casos mais graves, quando se inventa algo sobre o outro, está havendo luta e hostilidade à pessoa objeto da maledicência. Vivemos em uma sociedade extremamente competitiva e existem duas formas cruéis de destruirmos uns aos outros. Ou matamos a pessoa (destruição do corpo) ou matamos a sua imagem.

Numa sociedade, onde a imagem tem um alto valor, falar mal de alguém é uma tentativa de aniquilação do outro, perante à sociedade. Esse comportamento é fruto da competição e da inveja. O prazer de falar mal de alguém existe porque equilibra o mal estar do invejoso diante da alegria, sucesso ou competência do outro.

O maledicente sofre de profunda inferioridade e sofre com o brilho das outras pessoas. O maledicente é semelhante ao planeta que não tendo luz própria, só consegue brilhar, roubando a luz do outro.

Se temos, necessidade de espalhar o lado negativo de alguém, ainda que seja verdade, estamos sendo inimigos desta pessoa e queremos sua destruição para nos sentirmos superiores a ela.

Muitas pessoas não percebem o estrago que fazem na vida de outrem quando são maledicentes e outras sabem disso e o que fazem exatamente por isto.

O que temos a fazer é aprender a conviver com esse fenômeno. Se crescermos, se tivermos sucesso, inevitavelmente seremos objetos da inveja alheia e da maledicência.

Muita gente, como a Celene, sofre profundamente quando é alvo de alguma fofoca. Chora, se sente injustiçada, e isso tem a ver com a vaidade humana. Temos de aprender primeiramente a não falarmos mal das outras pessoas e, de preferência, desenvolver a competência de falar bem.

Em segundo lugar, não devemos sofrer tanto, em vista da consciência da competição e inveja de quem fala mal de nós e de que definitivamente não vale a pena dar tanta importância a isso, embora devamos cortar qualquer relacionamento com pessoas destrutivas.

Uma das maiores virtudes do homem é a capacidade de admirar, de olhar o lado claro e bom que existe nas outras pessoas. A começar de nós mesmos. Uma pessoa que se admira, que se vê preferencialmente nos aspectos positivos, que se ama, que se perdoa pela própria imperfeição, perdoa a imperfeição do outro e não sente prazer em falar mal e destruir um ser humano. O amor só existe em pessoas com competência para admirar. A hostilidade, o desamor começa com a maledicência.

Todo cuidado é pouco com o ser humano. Cultivar o respeito à natureza humana é o primeiro passo para relacionamento sadios. Os maledicentes são pessoas complicadas para o relacionamento e trazem muitos problemas para os grupos a que pertencem, seja na família, no trabalho, no lazer, na sociedade.

A palavra, o falar é um grande dom e estrutura as relações – A língua estabelece o diálogo, o afeto, o elogio e o amor. Quando nossa língua está conectada com o coração, em sintonia com o sentimento, ela fala aquilo de que está cheio o coração.

Se nele há bondade, afeto, ternura, amor, a língua é instrumento de construtividade, de beleza, de admiração. É bom falar bem das pessoas, realçar seu valor perante outros, admirar seus dons e seus talentos. Isto cria um clima de paz e harmonia.

Quando, porém, meu coração está cheio de inveja, ressentimento, ciúme, a língua é instrumento de destruição, é ferina, faz estragos na vida de outros e na própria.

Pessoas que falam mal das outras entraram no mundo da perversidade e atraem para si aquilo que elas desejam para os outros.

“Á toda ação, corresponde uma reação igual e contrária.”

A boca fala o que há no coração. Conhecemos as pessoas pelas suas falas, porque aí conhecemos o seu coração.

Pessoas amorosas têm palavras amorosas.

Pessoas invejosas têm palavras venenosas.

Uma forma saudável de convivermos com a calúnia e a difamação é aumentarmos a nossa auto-estima, através da observação de nossos pontos fortes, nosso potencial e do perdão às nossas fragilidades. Se nos amamos de verdade não nos definiremos pela definição dos que não são nossos amigos. Um bom exercício é repetirmos, de vez em quando, o seguinte:

- Eu sou o que sou e não o que outros querem que eu seja. A melhor resposta aos que falam mal de nós é continuarmos, com humildade, a caminhada para novas conquistas, novos horizontes, para a alegria e para a felicidade.

Antônio Roberto

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