quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A AMIZADE, SEGUNDO ARISTÓTELES


Vivendo e aprendendo.. lendo os textos dos grandes filósofos conseguimos compreender melhor a realidade das relações que surgem em nossos caminhos e dos termos utilizados nos contatos sociais. 

Aprendemos que o termo "amizade" e "amigo" na verdade é algo baseado no querer bem. O prazer, a alegria e a utilidade não são os motivadores de uma perfeita amizade. Esta, o que a move é um querer bem gratuito e natural, nem sempre prazeroso, nem sempre útil, nem sempre conveniente. É algo tão puro, tão rara, que por isso é tão difícil encontrá-la neste mundo. São os sábios da antiguidade nos ensinando coisas que, se soubéssemos antes, poderiam nos poupar de tantas dores, quedas, expectativas frustradas e decepções que ocorrem em nossas relações. 
Lá vou eu mais uma vez dar sugestão a Deus...: ah se pudéssemos nos abrir ao mundo somente após alguns anos de estudo intenso das obras dos grandes filósofos!! Este deveria ser um pré-requisito para entrarmos em contato com o meio social! Só poderíamos nos relacionar, trabalhar, estudar, etc. após cumprir este período intensivo de estudo profundo das obras dos grandes mestres e filósofos. Provavelmente faríamos outras escolhas, cruzaríamos caminhos menos íngremes e dolorosos e teríamos menos chances de cairmos nas armadilhas emocionais que encontramos todos os dias em nossos caminhos.

Luciana G. Rugani

A Amizade segundo Aristóteles

Assim como os motivos da Amizade diferem em espécie, também diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afecto, pois na esfera de cada espécie deve haver "afeição mútua mutuamente reconhecida". Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade; desse modo, aqueles cujo motivo é a utilidade não têm Amizade realmente um pelo outro, mas apenas na medida em que recebem um bem do outro. Aqueles cujo motivo é o prazer estão em caso semelhante: isto é, têm Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude de seu carácter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aqueles cujo motivo da Amizade é a utilidade amam seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aqueles cujo motivo é o prazer o fazem pelo que é prazeroso a si mesmo; ou seja, não em função daquilo que a pessoa estimada é, mas na medida em que ela é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais: pois que o objecto não é amado por ser a pessoa que é, mas pelo que fornece de vantagem ou prazer, conforme o caso. Tais Amizades são de facto muito passíveis de dissolução se as partes não permanecem iguais: isto é, os outros cessam de ter Amizade por eles quando deixam de ser agradáveis ou úteis. Ora, a natureza da utilidade não é de permanência, mas de constante variação: assim, quando o motivo que os tornou amigos desaparece, a Amizade também se dissolve; pois que existia apenas em relação àquelas circunstâncias... A perfeita Amizade é a que subsiste entre aqueles que são bons e cuja similaridade consiste na bondade; pois esses desejam o bem do outro de maneira semelhante: na medida em que são bons (e são bons em si mesmo); e são especialmente amigos aqueles que desejam o bem a seus amigos por si mesmo, porque assim se sentem em relação a eles, e não por uma mera questão de circunstâncias; assim, a Amizade entre esses homens permanece enquanto eles são bons; e a bondade traz em si um princípio de permanência.

.. São poucas as probabilidades de Amizade dessa espécie, porque os homens dessa espécie são raros. Além disso, pressupõem-se todas as qualificações exigidas, essas Amizades exigem ainda tempo e intimidade; pois, como diz o provérbio, os homens não podem se conhecer "até que tenham comido juntos a quantidade de sal necessária"; nem podem de fato admitir um ao outro em sua intimidade, muito menos serem amigos, até que cada um se mostre ao outro e dê provas de ser objecto apropriado para a Amizade. Aqueles que iniciam apressadamente uma troca de gestos amigáveis querem ser amigos mas não o são, a menos que sejam também objectos apropriados para a Amizade e se reconheçam mutuamente como tal: ou seja, o desejo de Amizade pode surgir rapidamente, mas não a amizade propriamente dita.

Fonte:http://pt.shvoong.com/humanities/1778972-amizade-segundo-arist%C3%B3teles/#ixzz2Lph7KloB

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