domingo, 22 de dezembro de 2019

MENSAGEM DE NATAL E ANO NOVO - 2019



Quando escrevemos sobre o natal e ano novo, na maioria das vezes nosso raciocínio se articula como se estivéssemos próximos a viver uma ruptura, um zerar de placar. Isso deve-se à cultura de fim e começo, quando na verdade o que temos é uma continuidade apenas. Fato é que vivemos um tempo complicado dos últimos anos para cá, uma fase mundialmente difícil em uma sociedade cujos instintos mais perversos vêm a tona a todo momento. Por isso, claro que esperamos e desejamos que venham dias melhores, porém sabemos que nada muda do dia para a noite, e certo é que nossa sociedade, ainda tão primitiva, dominada pela ganância, pelos instintos maldosos aliados ao uso da tecnologia, ainda nos trará muitos desenganos. Isso é fato.

Neste ano de 2019, vivi momentos felizes, porém também vivi momentos tristes, vendo nossos direitos, enquanto trabalhadores brasileiros, sendo destruídos. Perdi amigos por falecimento, mas também perdi amigos em vida. Não sei o que dói mais... quando perdemos alguém por falecimento, sofremos porque não teremos a presença física ao nosso lado. E quando os perdemos em vida, sofremos quando eles nos abandonam voluntariamente e de forma injusta. Alguns vão embora porque temos pontos de vista diferentes, principalmente em relação à política. Não sabem ser amigos com respeito, com entendimento de que o melhor para todos não é este ou aquele rótulo atrás do qual se escondem, não é a defesa radical deste ou daquele nome, e sim a união em prol do bem comum, o respeito, a aceitação verdadeira das diferenças, o consenso. Outros nos abandonam do nada, quando tudo está aparentemente bem, quando confiamos e nos expomos abertamente, quando lhes confidenciamos nossas questões mais pessoais e, de repente, eles se vão. Não falam mais conosco, repetem desculpas infundadas para, aos poucos, irem desanimando nosso querer, nossa vontade de interagir. Na verdade percebemos que já não somos úteis para estes amigos que só nos permitiram a proximidade enquanto viam em nossa pessoa alguma conveniência pessoal. São situações que ferem e doem tanto quanto a morte, pois, em ambos os casos, temos a perda de alguém que julgávamos amigo, a perda de um ser cuja lembrança era, para nós, certeza de apoio e acolhimento.

Neste ano perdi, por falecimento, Elizabeth Marge. Beth era uma amiga que, apesar de nossa convivência ter sido mais à distância, sentia falta de minha presença em Cabo Frio. Ela era a única pessoa que me perguntava: "quando você vem? Tá demorando dessa vez...". Apesar de muitas vezes eu estar presente na cidade e não ser possível nosso encontro presencial, mas ela conhecia e entendia bem a alegria e prazer que eu sentia quando chegava na cidade. A sensação de estar chegando em casa! Ela compreendia isso como ninguém. E vivia junto de mim cada momento, cada evento do qual eu participava. Nem sempre era possível que ela comparecesse aos eventos, ou que ela curtisse junto comigo cada lugar. Mas ela mesma dizia que curtia cada momento, ainda que pelas redes sociais. Dizia que, se pudesse, iria em todos comigo, poderíamos participar de mais eventos, sem precisarmos de deixar de ir em vários, como deixamos várias vezes, por não termos a companhia uma da outra. Então eu sentia acolhimento por parte dela, carinho real de alguém que gostava de mim de verdade e que gostava de minha presença.

Ela se foi, e confesso a vocês que esvaziou muito por aqui... já não tenho mais aquela que me fazia sentir esse acolhimento na cidade, aquela pessoa que ficava feliz quando eu passava uma mensagem dizendo: "cheguei". Hoje não tenho mais que dizer que cheguei, não tenho mais aquela que vibrava com minha presença. Hoje é silêncio, e a frieza normal dos tantos "conhecidos" apenas.

Enfim, me estendi no texto para dizer que o natal e o ano novo não farão com que essas coisas se refaçam, como mágica. Não há retorno...o que se foi, seja por causa natural ou por vontade própria, não mais voltará. O radicalismo continuará... os preconceitos, as brigas políticas... será tudo uma continuidade, apenas isso.

O número do ano muda, mas a vida não. A vida não dá saltos, e não há mudanças miraculosas. Mas que pelo menos permaneça, ou renasça, o entusiasmo perdido, a alegria retida. Que possamos entender que, muito além de nossas perdas aqui nessa Terra, muito além dos que nos magoam, nos decepcionam, dos que mentem para nós e muito além dos que brincam com nossos sentimentos mais nobres, há um Ser Maior que em tudo está presente. Estamos submetidos às Suas leis que não falham, porém têm seu tempo certo de agir. Por mais que nos sintamos sozinhos, vazios, muitas vezes sem sentido em nossas vidas, lembremos disso e saibamos que nossa vida nos pertence, mas somente até certo ponto. Somente a Ele pertence na totalidade, pois precisamos cumprir o que nos está reservado, fruto de nossas ações do passado das quais não mais nos lembramos, mas que estão escritas no livro de nossa eternidade.

Que todos possamos ter um natal de paz e um ano novo com mais entendimento e mais força para vivermos o que virá sem perdermos a fé e sem nos esvaziarmos por dentro. Que possa cada dia de nossas vidas, nessa perfeita continuidade de noite/dia, dezembro/janeiro, morte/vida, ser de renovação em nossas almas, pois somente renovando-nos é que teremos maior compreensão da maldade alheia, somente assim ela não infligirá tanto nossos corações, e somente assim compreenderemos melhor as leis da vida que nos regem.

Feliz natal, e um bom ano novo!
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