Pular para o conteúdo principal

UM ANIMAL POLÍTICO


Por Eugenio Mussak

Na empresa, ser politico é exercitar o hábito de colaborar

Ilustração Baptistão{txtalt}
Eugenio Mussak é professor do MBA da FIA e consultor da Sapiens Sapiens
O modo de pensar ocidental foi fundado pelos filósofos gregos nos séculos 5 e 6 a.C. Quando falamos de coisas como liberdade, justiça, democracia, educação, coragem, respeito, ética, estamos, sem saber, nos referindo a temas que começaram a ser analisados com cuidado naqueles anos fantásticos, em que o homem encontrou um jeito de substituir o misticismo pela razão. Foi nesse período que surgiu a palavra política, derivada de pólis, que quer dizer cidade. No original, ser político significava demonstrar interesse e preocupação pelo bem-estar da cidade, e é assim que todas as pessoas deveriam se comportar, cuidando de seus interesses particulares sem ofender os coletivos. Os desejos e necessidades de cada um devem estar em harmonia com os da coletividade. Simples essa ideia, não?

Empresas são parte integrante da sociedade, estão sujeitas aos mesmos princípios que regem a civilização ocidental, incluindo o da política. Infelizmente, esse conceito sofreu uma mudança de entendimento. Hoje, ser político remete a conchavos, a dar para receber. Confunde-se busca pelo poder com busca pelo bem-estar coletivo.

Há empresas que permitem e até estimulam essa política de segunda linha, acreditando que competitividade interna trará maior desempenho. O erro é grosseiro, pois o foco da competitividade foi deslocado do mercado para o interior da empresa, enquanto o concorrente pode estar fazendo sua lição e ocupando os espaços. Na empresa, ser político significa exercitar o hábito da colaboração, da clareza e do entendimento. Ser político não significa concordar com todos, nem procurar a harmonia do grupo por meio de aceitação pacífica da opinião dos gestores.

Ser político é usar sua inteligência para encontrar a convergência dos interesses apesar da divergência de opiniões. Ser político é exercer a mais nobre das condições humanas, a de comportar-se como cidadão, sabedor de seus direitos e ciente de seus deveres. A propósito, entre os gregos, aquele que não tivesse um comportamento político, demonstrado pelo interesse no bem-estar geral, e que era centrado apenas em seu umbigo, recebia um nome sugestivo — era chamado de idiota.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CIDADANIA NOS DIAS ATUAIS

Cidadania é um termo cujo significado encontra-se em constante evolução, sendo modificado e ampliado através da história. Já esteve ligado somente ao exercício de direitos e deveres políticos, mas hoje, devido à evolução das relações sociais, possui um alcance muito maior que envolve também a questão da participação dos membros da sociedade em prol do bem comum. Há alguns anos atrás, os meios de participação social eram restritos, e daí também o conceito de que cidadão era aquele sujeito detentor do direito de voto. A nossa atual constituição federal trouxe enorme contribuição para a ampliação da noção de cidadania, através da instituição de diversos instrumentos de participação popular. Foi um grande passo, e por isso é chamada de “constituição cidadã”. A partir daí, algumas questões onde o abuso era mais evidente ganharam destaque e contribuíram ainda mais para a evolução da cidadania, como é o caso das questões de proteção aos direitos do consumidor e do agigantamento dos

PARA HENRY BOREL

Não mais o riso fácil de criança! Os bonecos a lutar, Impulsionados por frágeis mãozinhas, Agora estão inertes Como inerte está  O seu corpinho sofrido. Não mais a alegria E o gosto da liberdade Dos dias fora do calabouço, O seu cárcere de dor. Quantos gritos mudos Em abraços silenciosos. Quantas dores caladas Gritadas em olhar de pavor. Quantos pedidos no choro fácil, No rostinho escondido no ombro No colo de sua algoz. Uma criança somente, E somente só. Única! Seu riso só seu, Seu olhar, sua identidade. Sua voz, seu abraço Únicos! Sua voz agora é silêncio, A mesma voz  Que animava brinquedos A mesma voz  Que implorava socorro na fala curta. Pai, me deixa ficar contigo! A luz aqui Pra sempre se apaga. Ficarão a saudade, E consciências sem paz. Mas a luz vive além Resplandece linda entre anjos. O anjo venceu o leão da arena E em outras esferas foi sorrir, Foi brincar, Foi viver. Liberto está, Para sempre, Das mãos frias de duros golpes, Dos abraços fortes de ódio E da tortura, Que dói

TEXTO EXCELENTE SOBRE RESILIÊNCIA

Como se forma um gênio como o escultor Auguste Rodin?   por Regis Mesquita   Blog www.psicologiaracional.com.br Em 1840 nasceu um gênio chamado Auguste Rodin? Não, ele se tornou um gênio , nasceu com potencialidades, vocações e plano de vida. A sua genialidade foi o fruto final de um longo processo de estudos, tentativas, erros, treinamentos, aprimoramentos, fracassos. Para cada obra bem feita, ele deve ter tido pelo menos uns 400 fracassos. Olhando pelo lado da proporção, o genial Rodin foi um fracassado. O pior vem agora: para cada obra Genial, para cada "obra prima", ele deve ter tido pelo menos uns mil fracassos (obviamente, estes números são projeções minhas). Rodin era pobre, foi rejeitado três vezes ao tentar entrar em escolas de artes. Mas, ele tinha uma arma infalível: ele brincava com a arte. Em nossa sociedade nós dizemos: "isto não é brincadeira, vamos fazer as coisas com seriedade. Se seguisse este preceito, Rodin teria si