domingo, 6 de novembro de 2011

ENCONTRO HISTÓRICO - JUSCELINO E PADRE EUSTÁQUIO

DUAS PERSONALIDADES DA HISTÓRIA DE BELO HORIZONTE  E DO BRASIL. PADRE EUSTÁQUIO, HOJE BEATO EUSTÁQUIO, E JUSCELINO KUBITSCHECK: O ENCONTRO DE DUAS ALMAS AMIGAS E MISSIONÁRIAS. 


ENCONTRO HISTÓRICO - JUSCELINO E PADRE EUSTÁQUIO
Por Maria de Lourdes Costa Dias Reis – Professora/Mestre em História, jornalista e escritora

Duas personalidades marcaram indelevelmente a história de Belo Horizonte: Padre Eustáquio e Juscelino Kubitscheck.
Padre Eustáquio nasceu em 3 de novembro de 1890 na pequena cidade de Asrle Rixtel, na Holanda, sendo batizado com o nome de Humberto Von Lieshout. Muito jovem entra para a Congregação dos Sagrados Corações e foi enviado primeiramente para a Espanha. Depois, junto com dois padres, foram os três primeiros sacerdotes da Congregação dos Sagrados Corações a virem para o Brasil. Chegou ao Rio de Janeiro em 12 de maio de 1925 para tomar conhecimento da língua local e acostumar-se com o novo país. Foi enviado primeiramente para o Santuário de Abadia de Água Suja, paróquia da Diocese de Uberaba. Depois foi transferido para a cidade de Romaria em São Paulo e depois para Poá. Ali, nesta cidade, começou a operar milagres e curas, provocando a vinda de inúmeras pessoas para o local. Esta atração de pessoas incomodou aos padres da região, provocando sua transferência para a cidade de Araguari. Mas a fama de milagreiro e curador não desgrudava de Padre Eustáquio.
Juscelino Kubitschek era um jovem de origem tcheca, pelo lado materno, filho de família humilde, nascido em 12 de setembro de 1902 na cidade de Diamantina. Veio muito jovem para Belo Horizonte e estudou com muita dificuldade e esforço, até encaminhar-se para a Faculdade de Medicina da UFMG. Tornou-se um cirurgião exímio, especialista em clínica renal e casou-se com Sarah Lemos, filha única de um deputado federal. Em 1942, já exercendo o cargo de Prefeito de Belo Horizonte, e, ainda exercendo a medicina, o jovem casal, embora quisessem muito, não podiam ter filhos. Já estavam casados há vários anos e Sarah havia realizado muitos exames médicos, consultado com os melhores especialistas da cidade e não conseguia engravidar. Isso enchia o jovem casal de tristezas e incertezas.
Um dia, o prefeito Juscelino foi aconselhado a procurar um padre na pequena e pobre Vila Progresso, em Belo Horizonte, local simples habitado por operários e gente simples. Segundo o conselheiro, o padre já havia operado milagres e curas em São Paulo e no Triângulo Mineiro e isso poderia ser benéfico para Dona Sarah. Juscelino, um dia, resolveu procurar o jovem padre na pequena vila operária, uma região pobre, coberta de mato, com pequenas casas e cheia de ruas de poeira. Padre Eustáquio era um homem forte, corpulento, muito alto e com dois olhos azuis penetrantes que envolviam a pessoa com quem conversava. O padre, ao ser procurado pelo Prefeito, olhou Juscelino e Dona Sarah com o olhar profundo de seus olhos azuis e, passou sua mão pesada e firme na barriga da mulher. Disse: - Prefeito, daqui a nove meses, traga a menina para eu batizar. E não disse mais nada...
No outro mês, Sarah já estava grávida e o casal morria de alegrias.
Juscelino a partir daí não se desgrudou mais de Padre Eustáquio. Este era seu conselheiro político e amigo espiritual. O prefeito então doou dois quarteirões da pequena vila para a Congregação dos Sagrados Corações poder erigir sua igreja, pois a vila só possuía uma simples capela, no fim do bairro, chamada Cristo Rei. Padre Eustáquio apenas lançou a pedra fundamental da futura Igreja dos Sagrados Corações e disse que começava a igreja mas não iria vê-la concluída. Após os nove meses da visita de Juscelino a Padre Eustáquio, Dona Sarah ganhou uma menina à qual deram o nome de Márcia, filha única do casal. Anos mais tarde, adotaram, como filha, a menina Maristela, para fazer companhia a Márcia.
Padre Eustáquio não viu a conclusão da igreja, pois em suas andanças pelas ruas cobertas de mato do bairro, foi picado por um carrapato no umbigo e adquiriu uma doença perigosa e sem cura para a época: de tifo exantemático. Ele padeceu alguns dias no Hospital do bairro, hoje o Hospital André Cavalcanti, onde veio a falecer aos 53 anos de idade, em 30 de agosto de 1943.
Uma enormidade de gente afluiu ao enterro de Padre Eustáquio no Cemitério do Bonfim, fato inédito em Belo Horizonte. Juscelino então mandou mudar o nome da via mais importante da vila, caminho que iniciava próximo ao centro da cidade e ia até a vizinha povoação de Contagem. Era um caminho tortuoso, cheio de curvas e chamado Avenida Contagem. Juscelino, em homenagem ao santo padre, deu a denominação de Rua Padre Eustáquio à Avenida Contagem. A partir daí, o bairro não parou de crescer. Ao lado da Igreja dos Sagrados Corações, mais tarde conhecida apenas como Igreja de Padre Eustáquio, foi erguido o Colégio Padre Eustáquio, com o objetivo de oferecer ensino particular aos filhos dos moradores do bairro. Juscelino ainda demonstrou mais gratidão ao amigo santo: mandou construir casas populares, vendidas a preços módicos para funcionários públicos nos quarteirões que rodeavam a Igreja.
Outro fato que também marcou a vida de Juscelino, ligado a Padre Eustáquio: Juscelino já era governador de Estado, no período dos anos 50. Um dia, estando muito cansado, pelas atribuições do cargo e se preparando para se candidatar a Presidente da República, pediu para não ser incomodado por ninguém no Palácio das Mangabeiras, pois queria descansar sozinho em seu quarto. Trancou a porta por dentro e pretendia dormir com tranqüilidade. De repente, viu um padre de batina branca entrar em seu quarto e debruçou-se como para abençoá-lo e parecia querer dizer alguma coisa. O governador, meio sonolento, ouviu quando o padre lhe disse que ele realmente seria Presidente do Brasil. Faria um grande governo, mas seria perseguido, injuriado e iria sofrer muito por isso. Juscelino assustou-se e levantou-se rapidamente, querendo pegar o padre. Este, de repente desapareceu, como por encanto, na parede do quarto. Juscelino abriu a porta e saiu gritando para a guarda governamental que detivessem o padre, pois ele queria falar com ele. Ao que os soldados, de pronto, falaram que ninguém havia entrado no Palácio, nem mesmo este tal padre. Juscelino ficou muito assustado, mas achou que seria esta mais uma revelação de Padre Eustáquio...
A pequena vila Progresso passou a chamar-se bairro Padre Eustáquio, em homenagem ao santo padre. Ruas foram abertas, casas construídas, e o progresso foi chegando devagar ao local. Hoje, o bairro Padre Eustáquio é um dos mais populosos de Belo Horizonte, ostentando a marca de 28.000 habitantes, local sossegado, aprasível e bom de morar. Boas casas marcam as ruas do bairro , que possui grande estrutura de comércio, rede bancária, supermercados, boa rede de transporte coletivo, oferecendo ainda a seus moradores segurança e sossego. Como moradora há 46 anos do bairro Padre Eustáquio, credito ao Beato Padre Eustáquio este progresso do local e considero o bairro um local abençoado por este, que deverá ser, em breve, o primeiro santo mineiro. Dia 30 de agosto é considerado o “Dia de Padre Eustáquio”, por marcar a data de sua morte e dia venerado pelos moradores e fiéis de toda Minas Gerais.

Fonte: Folha do Padre Eustáquio nº 211 – agosto de 2011

ESCRAVOS DO AUTOMATISMO

Homem morto trabalha por uma semana. (Notícia do New York Times)
Os Gerentes de uma Editora estão tentando descobrir, porque ninguém notou que um dos seus empregados estava morto, sentado à sua mesa há 5 dias. George Turklebaum, 51 anos, que trabalhava como Verificador de Texto numa firma de Nova Iorque há 30 anos, sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava (open space, sem divisórias) com outros 23 funcionários. Ele morreu tranquilamente na segunda-feira, mas ninguém notou até ao sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da limpeza o questionou, porque ainda estava a trabalhar no fim de semana. O seu chefe, Elliot Wachiaski, disse: "O George era sempre o primeiro a chegar todos os dias e o último a sair no final do expediente, ninguém achou estranho que ele estivesse na mesma posição o tempo todo e não dissesse nada. Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito sozinho." A autópsia revelou que ele estava morto há cinco dias, depois de um ataque cardíaco.
SUGESTÃO: De vez em quando acene para os seus colegas de trabalho. Certifique-se de que eles estão vivos e mostre que você também está! MORAL DA HISTÓRIA: "Não trabalhe demais. Ninguém nota mesmo..." 

 
A notícia acima recebi por e-mail. Não sei se é fato verídico ou não, mas seja como for, dele podemos extrair diversas reflexões.
Algo até muito comum de acontecer nos escritórios e setores de trabalho onde predomine uma rotina fixa e constante, é quando nós nos escravizamos tanto à rotina em si, ao automatismo das ações, que passamos a nem perceber o colega ao lado. Ele torna-se como que parte do mobiliário do setor. Esquecemo-nos de que ali ao nosso lado estão seres humanos, vidas, cada qual com seus problemas, sua personalidade, suas alegrias... e assim passamos as 6 ou 8 horas necessárias para finalizar a jornada, saímos, voltamos no outro dia da mesma forma, e quando vemos passaram-se os anos. Chega o momento de aposentarmo-nos e vemos que não conseguimos interagir de forma mais ativa e construtiva com nossos parceiros de trabalho. Passamos dias como se fôssemos meras peças de uma máquina: de manhã liga-se a máquina, de noite desliga, e assim vai dia pós dia.
Convivências vazias de conteúdo, talvez por medo, talvez por total inconsciência mesmo. Medo. Medo de misturar o profissional com o pessoal, pois muitos não sabem separar. Ou inconsciência mesmo.
Acho que na maior parte das vezes seja por inconsciência. A rotina rígida e constante nos retira de nós mesmos, escraviza-nos. Ela se apodera de nós passando a reger nossos atos e até pensamentos. Daí nos perdemos de quem somos, e sentimos aquele vazio dentro de nós, como se fosse um buraco negro sugador de nossa criatividade, nossa capacidade e nossa energia. Tornamo-nos quais autômatos.
Precisamos ligar o sinal de alerta. Estar atentos às manobras da rotina, mas pensar diferente, buscar algo novo. Não precisa ser nada grandioso, pode ser um simples olhar diferente para a paisagem. O importante é treinar, habituar, começando com as pequenas coisas, por exemplo: observar o ambiente ao redor. Olhar as paredes do escritório, e olhar a janela. Ver o céu, as plantas, a rua além da janela. Reparar nos detalhes. Observar a posição das mesas e cadeiras, nas expressões das pessoas. Ir pouco a pouco aumentando o grau de observação, e percebendo os olhares, os gestos, os sorrisos. Nós, seres humanos, somos dominados por nossos hábitos. Assim, ao invés de nos deixarmos escravizar pela rotina paralisante, devemos nos deixar controlar pelo hábito de mudar sempre, pelo hábito de inovar. Inovar em nosso olhar, em nosso sentir, nosso pensar. Claro, muitas vezes não podemos mudar as tarefas que iremos executar. Poderão ser as mesmas todos os dias. O importante é executá-las cada dia com um novo olhar, uma nova postura. Tenho certeza de que, se assim fizermos, teremos dias mais agradáveis, estaremos mais conscientes de nós mesmos como partícipes ativos do conjunto e assim também será nossa visão do colega ao lado.
Acordemos. Se precisamos de uma rotina a seguir, que seja a rotina da mudança de olhar, da atualização, da criação, da percepção. Percebermos a nós mesmos, através da respiração profunda e tranqüila, e percebermos o outro, tão humano quanto nós, ao nosso lado.
Consciência alerta, atenta e serena. É o primeiro passo para nos tornarmos livres. 

Luciana G. Rugani
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