quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

VALDIR DA SILVA, O FOTÓGRAFO CEGO: UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

As histórias de vida que retratam superação, vitória, sempre me encantaram. Já postei aqui no blog histórias de diversas pessoas que souberam dar a volta por cima, que fizeram de sua dor um trampolim para saltar e mergulhar de cabeça na vida, vivendo-a em toda sua plenitude. Pessoas que se encontraram, ou se reencontraram, a partir de uma virada de 180 graus em suas vidas; de um fato, a princípio doloroso e triste, mas que, devido à enorme resiliência de que são dotadas, encararam-no como um desafio que acabou por fazer brotar em si novos dons e capacidades.

Hoje venho falar do amigo Valdir da Silva.

Valdir ficou cego aos 24 anos de idade, em decorrência de um acidente de trabalho ocorrido na linha de montagem de uma empresa de calçados em que trabalhava. Quando recebeu do médico a notícia de que ficaria cego em 6 meses, ficou sem chão. Quis desistir, viveu o momento de sua vida em que diríamos que foi ao fundo do poço. Viveu sua dor ao extremo. Mas olhou para o lado, e percebeu que sua família também sofria por vê-lo sofrer daquela forma. Sua mãe, seu pai, seus irmãos. Foi assim que deu-se conta do quanto estava sendo egoísta ao pensar somente na sua dor. Resolveu reagir. Buscou ajuda com sua irmã, sua fiel escudeira. Foi conhecer a Associação dos Deficientes Visuais (ADEVIC), em Canoas (RS), e percebeu que existiam outras pessoas cegas como ele.

Começou sua reabilitação, estipulou metas para sua vida. Aprendeu o braile em 6 meses; começou a andar sozinho em 2 meses; fez teatro e passou a representar a associação em diversos eventos. Hoje é vice-presidente da associação; conselheiro do Conselho das Pessoas com Deficiência de Canoas e do Conselho de Educação. Formou-se em massoterapia e começou a pintar em tela. Tornou-se artista plástico. Os desafios surgiam um atrás do outro, então lhe perguntaram: "por que você não fotografa?"

A princípio ficou surpreso. Pensou: como um cego iria fotografar? Sua professora lhe falou: Valdir, você pode fotografar, usa seus sentidos!

Foi aí que despertou-lhe uma nova paixão: a fotografia. Comprou uma máquina simples, começou a fotografar através da voz das pessoas, do barulho do vento, do cheiro e do tato, através do toque das mãos, através do calor e, principalmente, através da essência do ser humano e da natureza.

"Fotografar tudo o que meus olhos não podem ver: estes é o meu grande desafio", disse. Começou a mostrar suas fotos para as pessoas, conheceu sua curadora, que organiza suas exposições e palestras e lhe dá dicas valiosas de como levar a beleza do mundo da essência do ser humano e da natureza a todas as pessoas. Valdir ama tudo que faz, pois ama demais a vida e agradece a Deus todos os dias por tê-lo permitido ver o mundo à sua volta de maneira diferente.

Hoje Valdir diz estar certo de que é o homem mais feliz do mundo. Aprendeu, depois de cego, a olhar no espelho e ver o seu interior, passou a ser mais tolerante com as pessoas, a valorizar o que há de melhor em cada uma delas. Valdir diz orgulhar-se de ser cego e defender seu segmento, lutando pelo direito à vida, ao amor, à paz e à acessibilidade.
Mais um exemplo de superação para nos mostrar que a vida é muito vasta, muito ampla, e que nossa dor passará, seja qual for ela, a partir do momento em que verdadeiramente despertarmos para a realidade de que nossa vida será aquilo que fizermos dela, e de que somos dotados de tamanha força interior da qual nem fazemos ideia! Seremos capazes de verdadeiros milagres se confiarmos, deixarmos essa força desabrochar por inteira em nosso ser e encararmos nossas dificuldades como metas, desafios possíveis de serem superados.

Valdir, além de fotógrafo, trabalha com palestras motivacionais por todo o país, em empresas, escolas, universidades, etc. Contato: telefone 051-97833179 ou através do perfil facebook https://www.facebook.com/valdir.dasilva.129


Luciana G. Rugani

2 comentários:

  1. por Valdir da Silva - Obrigado querida amiga luciana,para mim fotógrafo cego é uma honra poder mostrar as pessoas que a minha deficiência visual é apenas uma vírgula na minha história jamais um ponto final,buscar a felicidade ê minha meta,meu principal projeto é da felicidade o resto é uma consequência,fotografar para mim é mostrar as pessoas o meu olhar,o olhar que ultrapassa a fronteira da estética da beleza física é a busca e o encontro da essência através dos olhos do coração,a lente da minha máquina São os meus olhos.faço exposições das minhas fotos,palestras motivacionais em escolas,universidades e nas empresas,meu contato,. Fone051 97833179 ou através do meu facebook.

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  2. Ah como é bom saber que existe um ser humano assim...As esperanças nos surgem a cada segundo quando nos deparamos com pessoas como o Valdir, determinadas e que fazem do que aparentemente para muitos é difícil, é problemático, um trampolim para a realização de muitas metas positivas que encorajam e estimulam tantas outras pessoas que por determinado instante se tornam indefesas e desistimuladas. Adorei a matéria Luciana e acho que exemplos como o do Valdir, modificam pra melhor a vida de muitas pessoas, acaba com esteriótipos e estigmas relacionados à deficiência. Só não É e não FAZ quem não quer...

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