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O INÍCIO DA ACESSIBILIDADE URBANA EM CABO FRIO

Tendo em vista as comemorações referentes ao "Dia Nacional de Luta pelos Direitos da Pessoa com Deficiência", em 21 deste mês, vamos relembrar um pouco sobre como se deu o início da acessibilidade urbana na cidade de Cabo Frio (RJ).

Por volta do final dos anos 90 e início dos anos 2000, Cabo Frio vivia uma total remodelação devido às muitas obras realizadas pelo então prefeito Alair Corrêa. Alair estava organizando a cidade, cuidando de toda a infraestrutura que possibilitaria sua inserção no roteiro turístico nacional. Extinção de valões, urbanização de bairros inteiros, vias de acesso à cidade, grandes avenidas, enfim, a cidade adquiria nova "cara", mais moderna, mais atrativa e com maior qualidade de vida.

Ao mesmo tempo, a questão da acessibilidade tomava força a cada dia no país e, principalmente, nas capitais. No interior do estado do Rio, também começava a dar seus primeiros passos. As pessoas com deficiência constituíam, na época, 10% (dez por cento) da população brasileira. Hoje essa porcentagem está em torno de 25% (vinte e cinco por cento).

Em Cabo Frio, no governo de Alair, percebíamos, ao observar os eventos públicos, que já havia uma preocupação com a inclusão das pessoas com deficiência. Vale citar, por exemplo, que, na realização do grande show de Roberto Carlos na Praia do Forte, foi determinada a separação de espaço adequado e confortável para comportar 300 pessoas com deficiência, além de cerca de 3000 cadeiras somente para pessoas acima de 60 anos.

Nessa época, começava a consolidar-se um movimento de pessoas com deficiência, liderado pela cadeirante Maria Helena Barbosa Ribeiro, que almejava uma cidade com maior acessibilidade nas ruas, avenidas e próprios públicos. Desculpem-me por não nomear todos os representantes deste movimento, pois não me recordo de todos e por isso prefiro não arriscar mencioná-los. Mas destaco, para representá-los, a cadeirante Elizabeth Marge, nossa querida Beth. Destaco também Joelma Fidalgo, que na época já coordenava uma casa de apoio que até hoje abriga projetos para a acessibilidade. 

Estas pessoas viram no governo transformador de Alair a oportunidade e momento certo para semear as ideias sobre a acessibilidade urbana, considerando as obras que estavam sendo realizadas na cidade. Faziam participações em entrevistas, tanto em programas locais, como o programa de Amaury Valério, como também em programas de alcance nacional (programa da Ana Maria Braga).

A esperança e expectativa eram grandes, pois Alair Corrêa era conhecido por ser um político atento aos clamores populares e aberto a novas ideias e projetos que visassem a melhoria da qualidade de vida na cidade. E não foi diferente desta vez: Alair colocou-se disponível para ouvir os representantes do segmento e, mais que isso, possibilitou a eles acesso direto aos responsáveis pelas muitas obras que eram realizadas na cidade. Sem ainda conhecer Elizabeth Marge pessoalmente, ele a recebeu em seu gabinete para conversar sobre o assunto. Beth foi recebida com toda gentileza e receptividade, e foi colocada em contato com o grupo de engenheiros e arquitetos responsáveis pelos projetos e pelas obras em andamento para que fosse por eles ouvida em relação aos quesitos para que todas as obras fossem acessíveis. Elizabeth opinava e comparecia in loco para verificar as obras sob o ponto de vista da pessoa com deficiência.  Várias obras foram realizadas em conformidade com as exigências legais da acessibilidade e aferidas pessoalmente por Beth.

E assim, após seguidas reuniões e entrevistas, o tema foi tomando corpo. Nascia assim a acessibilidade urbana em Cabo Frio!

O governo realizador de Alair Corrêa, que tanto transformou a cidade e contribuiu para seu desenvolvimento através de suas obras, abriu espaço também para que a cidade se transformasse em termos de visão inclusiva. Em 2003, ainda em sua gestão, foi realizado o primeiro carnaval inclusivo com o desfile de um bloco de pessoas com deficiência. (Clique aqui para saber mais sobre este evento que tornou Cabo Frio a cidade pioneira em carnaval inclusivo para pessoas com deficiência).

Sabemos que a cidade ainda tem muito o que avançar neste assunto. A luta do segmento prossegue, e ainda há muito o que fazer. Mas acho importante que todos nós conheçamos o início deste trabalho, empreendido com tanto esforço e garra por essas pessoas pioneiras que fizeram parte do movimento inicial e, em nome das quais eu cito Elizabeth Marge, para que todos nós, cidadãos, possamos nos inspirar nele para adquirirmos força na busca de uma cidade acessível para todos. Vale lembrar que acessibilidade é importante não somente para pessoas com deficiência, mas também para idosos e para qualquer pessoa, seja de que idade for, que tenha alguma dificuldade de locomoção, momentânea ou não.

Abaixo seguem fotos de jornais da época com matérias sobre o assunto:
Luciana G. Rugani

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