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RESULTADO FINAL DO "CONCURSO TEIXEIRA E SOUZA: DE TEIXEIRA E SOUZA À ELZA SOARES CRÍTICA SOCIAL NO PLANETA FOME"


Hoje saiu a publicação do resultado final do "Concurso Teixeira e Souza: De Teixeira e Souza à Elza Soares Crítica Social no Planeta Fome", realizado pela Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Cabo Frio - RJ. 
Foi gratificante ter participado deste que foi meu primeiro concurso literário e por haver sido classificada em 9º lugar, portanto dentro dos 20 poemas que comporão a antologia que será publicada. Considerando os quesitos estabelecidos no edital e a pontuação de cada um deles, percebemos que foi um concurso bem rigoroso. Para mim, foi uma vitória e uma alegria muito grande, pois meu poema fará parte desta antologia histórica e oficial da cidade. 
E ainda, fiquei muito feliz por ver que vários companheiros e companheiras da minha nobre Academia de Letras e Artes de Cabo Frio - ALACAF estarão comigo na antologia e também por terem sido os 1º e 2º lugares preenchidos por nossos acadêmicos Marcus Vinícius Grijó da Silva e Silvana Lima Tavares Cavalcanti.
Abaixo segue o resultado completo e o poema com o qual participei:


De Teixeira a Elza

CORNÉLIA,
Em insondáveis pensamentos,
Absorvia, encantada,
Suave melodia de CÂNTICOS LÍRICOS
Da casa da esquina entoada.
Livros ali nasciam,
Histórias e romances surgiam.
Naquela noite, porém,
A música permitiam.

Teixeira e Sousa,
Escritor mulato cabo-friense,
Ali suas obras criava.
Em seus romances e tragédias,
Curava as dores sofridas:
O preconceito,
A pobreza.
Igualdade e amor,
Em suas obras, eternizava.

Com Teixeira e Sousa,
Da janela, Cornélia sonhava...
Sonhava com ele aprender a ler,
E a escrever.
Sonhava viver OS TRÊS DIAS DE UM NOIVADO
Com O FILHO DO PESCADOR.
AS TARDES DE UM PINTOR,
Por mais belas fossem,
Eram incapazes de reluzir
Uma só porção de seu amor.

Cornélia era negra,
Desnutrida,
De vida sofrida,
Escrava.
“Quiçá um dia!”
Sonhava.
Queria ser livre,
Como um pássaro a voar.
Trabalhar
Não deveria ser humilhar.
Seu choro e seu riso,
Deveriam respeitar.

Assim viveu Cornélia,
Em compasso e descompasso.
Uma vida pendular,
Com muitos sonhos a sonhar
E muita dor a cultivar.

No PLANETA FOME,
Cem anos a correr.
Nasceu ELZA NEGRA, NEGRA ELZA!
A mesma dor
O mesmo sofrer.

Elza era livre,
Prisioneira, porém,
Do mesmo sofrer
Que à Cornélia fez chorar:
O preconceito a verter
Dos olhos daqueles
Que a ela punham-se a mirar.

Elza também tinha sonhos a sonhar,
E amor a amar.
À vida, ELZA PEDE PASSAGEM,
NOS BRAÇOS DO SAMBA,
Deixa-se levar.

SANGUE, SUOR E RAÇA,
Toda sua vida abraça.
NA RODA DO SAMBA,
Seu nome ficou.
“SOMOS TODOS IGUAIS”,
A sua arte gritou.

Persistir, não desistir,
LIÇÃO DE VIDA.
SENHORA DA TERRA,
VOLTEI!
Sou A MULHER DO FIM DO MUNDO!
Do mundo invisível,
Mundo de fome,
Mundo de dor,
De preconceito.
PILÃO + RAÇA = ELZA
Mas VIVO FELIZ,
Minha TRAJETÓRIA é guerreira!
Sou carne, sou alma,
Sou estrela!
Sou ser que vive,
Que ama,
Que sonha.
Sou
Assim como você!

Teixeira e Elza,
Eternos na arte que liberta!
Passado e presente
Entrelaçados no tempo.
Tempo esse que não teve tempo
De curar a dor
Para tantas outras Elzas
E tantos outros Teixeiras.

Para esses tantos,
Passa-se ano a ano
E persiste o sofrer,
O preconceito insano
E a fome,
Que lhes faz doer.

(os trechos em “caixa alta” correspondem a títulos de obras do escritor Teixeira e Sousa e a títulos de álbuns gravados por Elza Soares)

Luciana G. Rugani

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