domingo, 6 de novembro de 2011

ESCRAVOS DO AUTOMATISMO

Homem morto trabalha por uma semana. (Notícia do New York Times)
Os Gerentes de uma Editora estão tentando descobrir, porque ninguém notou que um dos seus empregados estava morto, sentado à sua mesa há 5 dias. George Turklebaum, 51 anos, que trabalhava como Verificador de Texto numa firma de Nova Iorque há 30 anos, sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava (open space, sem divisórias) com outros 23 funcionários. Ele morreu tranquilamente na segunda-feira, mas ninguém notou até ao sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da limpeza o questionou, porque ainda estava a trabalhar no fim de semana. O seu chefe, Elliot Wachiaski, disse: "O George era sempre o primeiro a chegar todos os dias e o último a sair no final do expediente, ninguém achou estranho que ele estivesse na mesma posição o tempo todo e não dissesse nada. Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito sozinho." A autópsia revelou que ele estava morto há cinco dias, depois de um ataque cardíaco.
SUGESTÃO: De vez em quando acene para os seus colegas de trabalho. Certifique-se de que eles estão vivos e mostre que você também está! MORAL DA HISTÓRIA: "Não trabalhe demais. Ninguém nota mesmo..." 

 
A notícia acima recebi por e-mail. Não sei se é fato verídico ou não, mas seja como for, dele podemos extrair diversas reflexões.
Algo até muito comum de acontecer nos escritórios e setores de trabalho onde predomine uma rotina fixa e constante, é quando nós nos escravizamos tanto à rotina em si, ao automatismo das ações, que passamos a nem perceber o colega ao lado. Ele torna-se como que parte do mobiliário do setor. Esquecemo-nos de que ali ao nosso lado estão seres humanos, vidas, cada qual com seus problemas, sua personalidade, suas alegrias... e assim passamos as 6 ou 8 horas necessárias para finalizar a jornada, saímos, voltamos no outro dia da mesma forma, e quando vemos passaram-se os anos. Chega o momento de aposentarmo-nos e vemos que não conseguimos interagir de forma mais ativa e construtiva com nossos parceiros de trabalho. Passamos dias como se fôssemos meras peças de uma máquina: de manhã liga-se a máquina, de noite desliga, e assim vai dia pós dia.
Convivências vazias de conteúdo, talvez por medo, talvez por total inconsciência mesmo. Medo. Medo de misturar o profissional com o pessoal, pois muitos não sabem separar. Ou inconsciência mesmo.
Acho que na maior parte das vezes seja por inconsciência. A rotina rígida e constante nos retira de nós mesmos, escraviza-nos. Ela se apodera de nós passando a reger nossos atos e até pensamentos. Daí nos perdemos de quem somos, e sentimos aquele vazio dentro de nós, como se fosse um buraco negro sugador de nossa criatividade, nossa capacidade e nossa energia. Tornamo-nos quais autômatos.
Precisamos ligar o sinal de alerta. Estar atentos às manobras da rotina, mas pensar diferente, buscar algo novo. Não precisa ser nada grandioso, pode ser um simples olhar diferente para a paisagem. O importante é treinar, habituar, começando com as pequenas coisas, por exemplo: observar o ambiente ao redor. Olhar as paredes do escritório, e olhar a janela. Ver o céu, as plantas, a rua além da janela. Reparar nos detalhes. Observar a posição das mesas e cadeiras, nas expressões das pessoas. Ir pouco a pouco aumentando o grau de observação, e percebendo os olhares, os gestos, os sorrisos. Nós, seres humanos, somos dominados por nossos hábitos. Assim, ao invés de nos deixarmos escravizar pela rotina paralisante, devemos nos deixar controlar pelo hábito de mudar sempre, pelo hábito de inovar. Inovar em nosso olhar, em nosso sentir, nosso pensar. Claro, muitas vezes não podemos mudar as tarefas que iremos executar. Poderão ser as mesmas todos os dias. O importante é executá-las cada dia com um novo olhar, uma nova postura. Tenho certeza de que, se assim fizermos, teremos dias mais agradáveis, estaremos mais conscientes de nós mesmos como partícipes ativos do conjunto e assim também será nossa visão do colega ao lado.
Acordemos. Se precisamos de uma rotina a seguir, que seja a rotina da mudança de olhar, da atualização, da criação, da percepção. Percebermos a nós mesmos, através da respiração profunda e tranqüila, e percebermos o outro, tão humano quanto nós, ao nosso lado.
Consciência alerta, atenta e serena. É o primeiro passo para nos tornarmos livres. 

Luciana G. Rugani

Um comentário:

  1. Eu acho que os últimos parágrafos dizem tudo:

    "Acordemos. Se precisamos de uma rotina a seguir, que seja a rotina da mudança de olhar, da atualização, da criação, da percepção. Percebermos a nós mesmos, através da respiração profunda e tranqüila, e percebermos o outro, tão humano quanto nós, ao nosso lado.
    Consciência alerta, atenta e serena. É o primeiro passo para nos tornarmos livres".

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