domingo, 18 de dezembro de 2011

FAZER DO TEMPO UM ALIADO


Alguns dizem que todos nós somos escravos do tempo, dizem que ele é implacável.
Mas, há aqueles que parecem ser donos do tempo. Vivem uma vida inteira como se fossem jovens de vinte anos, tamanha a vontade de realizar e a disposição para viver.  Fazem do tempo o seu maior aliado, talvez por não se preocuparem em tentar segurá-lo entre os dedos, mas sim por deixá-lo fluir e seguir com ele, lado a lado, nas águas da vida.  Geralmente são pessoas que já nasceram sabendo a que vieram. Gostam do que fazem, executam seus projetos e vão atrás de seus sonhos.  Creio ser esta a razão de tanto vigor: a paixão pelo que realizam.  
Infelizmente, em nossa sociedade ainda há algumas pessoas preconceituosas em relação aos idosos, apesar de que esse panorama vem mudando a passos largos. São pessoas de mente pequena, fracas na vontade, que não conseguem enxergar nem mesmo que elas próprias também são muito mais que simples corpos físicos, que são pensantes, com capacidade intelectiva que, se cuidada e preservada, pode manter-se plena durante toda a vida.  Não se dão valor e, consequentemente, não valorizam os outros. Para elas o quesito idade é o que vale. Estas sim são as escravas do tempo, e para estas o tempo é mesmo implacável. Não são capazes de navegar ao lado dele nas águas da vida, e acabam vivendo uma vida vazia, sem vontade, sem sonhos e projetos, e passam simplesmente a observar e criticar aquelas que são seu oposto. Não têm vida própria, pois entregaram suas vidas nas mãos do tempo, aceitaram o domínio deste como seu soberano.
Justamente para contrapor essa visão arcaica e preconceituosa à ideia de que somos muito mais do que nossa idade física é que estão aí várias pessoas exemplares, entre elas o grande arquiteto Oscar Niemeyer. Niemeyer é um destes seres humanos cuja postura na vida precisamos observar, analisar e buscar aplicar aquilo que nos engrandecerá como pessoas. Com 104 anos, recém-completados no dia 15 de dezembro, continua em plena atividade no seu escritório, trabalhando em seus projetos durante oito horas por dia. Com certeza é muito mais produtivo e realizador que muitos adultos mais jovens. Tem objetivos a cada dia, entusiasmo e gosto pelo que faz. Este é o segredo! Gostar do que se faz, por mais simples que seja a atividade. Sentir-se bem e feliz ao executá-la, ter planos.  Alguém que não seja realizado consigo próprio, com suas tarefas diárias, jamais conseguirá ter tal vitalidade e disposição.  Claro que os cuidados com a saúde física são importantíssimos, mas nada adiantarão se não houver essa gana, essa coisa que se sente no fundo do peito como uma fonte de luz e energia brotando e se espalhando pelo resto de nosso corpo. Essa força é o entusiasmo com a vida, é a verdadeira alegria interior que impulsiona e nos move ao infinito.  Mas é preciso fazer o que gostamos. Quando estamos fazendo aquilo que amamos, o sono e o cansaço não existem. O tempo deixa de ser nosso algoz e torna-se nosso maior aliado.
Sejamos amigos do tempo, caminhemos com ele lado a lado. Não podemos reter a vida, que flui a todo momento, por isso deixemo-la fluir e vivamos com mais sabedoria, deixando de lado o preconceito que só nos atrasa e limita. Seremos eternamente jovens, se assim for nossa postura na vida. Não somos o nosso físico, nossa idade cronológica. Somos nossos sonhos, nossa vontade e nossa alegria.

Luciana G. Rugani

2 comentários:

  1. Adorei a criteriosa mensagem enfática e cristalina.
    O mundo precisa mudar a absurda e retrógrada ideia de que os idosos não pensam ou não produzem bem.
    Tirando as doenças degenerativas, o idoso precisa ser acreditado cada vez mais, levando em conta que o mundo que existe se está melhor é porque as mãos dos idosos trabalharam para isto.
    Hairon.

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  2. Que linda mensagem,obrigada amiga, com sua sensibilidade você traduz muito bem em palavras os sentimentos. Sempre admirei muito Oscar Niemeyer por sua vitalidade, sabedoria e mais ainda por sua simplicidade. Acredito mesmo que quando temos projetos e sonhos a idade cronológica não importa e ai está a prova disto, ele viveu intensamente, casou-se novamente, acho que com 94 anos e trabalhou até seus últimos dias, ouvi pelo rádio que mesmo no hospital ele ainda fez várias reuniões de trabalho e projetos. Que lição de vida e espero que saibamos aproveitar.

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