quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL: MUITO MAIS SENTIR DO QUE RAZÃO


Observando as fotos de diversos lugares pós-réveillon, sejam praias, parques, lagoas ou ruas em que foram realizadas festas para a população, vemos o mesmo resultado no final: toneladas e toneladas de lixo.

Onde há ser humano há produção de lixo. Esse é um fato inconteste e conhecido por todos. Seja pobre ou seja rico, o resultado da aglomeração será este. E basta observarmos por este Brasil afora os espaços públicos e o trabalho enorme que têm no dia seguinte das festas os nossos garis, que desde bem cedo já estão nas ruas trabalhando em ritmo intensivo para reorganizar e limpar toda a sujeira resultante. Fato perfeitamente natural de se acontecer, considerando o nível de individualismo que predomina em nossa sociedade de hoje em dia.

Eu digo isso porque entendo que em nossa sociedade atual a empatia está em falta. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e compreender as suas reações naquelas circunstâncias. Este outro pode ser uma pessoa ou até mesmo um ser mais primário da natureza. E os seres individualistas que se multiplicam em nossa sociedade, não importa de que classe social sejam, passam longe da empatia.

A capacidade de entendimento de que não se deve simplesmente largar o lixo onde se está, seja nas praias ou nas ruas, passa muito mais pela capacidade de sensibilizar-se à causa coletiva. O meio ambiente é um espaço compartilhado, um espaço onde há interação com o outro, e, quando não se é capaz de se abrir para enxergar que aquilo que se faz no ambiente em que se vive repercute de alguma forma no outro, seja este outro pessoas ou a própria natureza, então não se é capaz de entender a necessidade de cuidado e preservação. É algo que passa muito mais pelo sentir do que pela razão. 

Por isso há pessoas que nunca tiveram um curso sequer, são analfabetas, mas entendem a necessidade de cuidado com o ambiente em que se vive, enquanto que há também o contrário, ou seja, pessoas que estudaram "Ciências" nas escolas, muitas vezes até assimilaram, racionalmente, os porquês de se cuidar da natureza, mas na hora de fazerem sua parte simplesmente não se importam, pois não há aquele "feeling" em relação ao meio. São geralmente pessoas tão fechadas em si mesmas, em suas razões, em seu humor do momento, de forma que simplesmente não se importam com o que vai ao seu redor.

O senso de preservação e cuidado com o outro, seja ele uma pessoa ou um ser da natureza, é algo que se adquire com a evolução do sentir, muito mais do que do pensar. Talvez se buscássemos educar a nós mesmos para aceitar que não somos máquinas, que não adianta bloquear nosso sentir para nos mostrarmos falsamente pessoas racionais, onde tudo é calculado nos mínimos detalhes de perfeição (como se pudéssemos a tudo controlar), talvez se ao invés de abafarmos o nosso sentir, se cuidássemos mais de aprimorá-lo através da busca por conteúdos que nos proporcionassem reflexões sobre nosso proceder com o outro, que nos levassem a uma análise de nós mesmos enquanto seres humanos emocionais que também somos, talvez aí sim conseguiríamos com mais eficácia sensibilizar nosso colega à causa coletiva, fazer brotar nele a sua capacidade de amar, certamente também bloqueada por muito tempo assim como a nossa. 

"Ser "consciente é ser capaz de amar”. Partindo desse ponto de vista torna-se claro a incapacidade de algumas pessoas em se comover com o apelo ambiental. Ninguém pode possuir uma consciência ambiental se não tiver desenvolvido a capacidade de amar a natureza" - Elísio Gomes Filho

Luciana G. Rugani

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