Pular para o conteúdo principal

CRÔNICA: PALAVRAS


PALAVRAS 

As palavras são muito mais que meras junções de caracteres. Elas carregam em si o teor vibracional da mensagem que transportam, porém aquele que as recebe só sentirá seus efeitos se houver conexão com a vibração de seu conteúdo. 
Quantas vezes nos imbuímos de carinho e positividade para escrever uma mensagem para alguém e esse alguém se dispõe a ler com empatia, sentindo o que estamos sentido, e, assim, absorvendo aquela energia salutar, passando até mesmo a sentir-se mais animado e revigorado? Mas, por outro lado, quantas vezes fazemos o mesmo e o receptor, de mente acostumada a gestos e pensamentos mecânicos, quase robotizados, simplesmente as lê sem a menor empatia, como uma notícia desinteressante, sem a menor alteração do seu estado de ânimo, sem nada absorver daquele conteúdo repleto de otimismo e carinho? E sem falar daqueles que encontram uma forma educada de dizer (com palavras lindas e bem colocadas, porém vazias de conteúdo real) que, por estarem com tantas outras prioridades na vida, precisam de um tempo sem comunicação para se reorganizarem! (acreditem se quiserem, mas as respostas dos seres não empáticos possuem píncaros de sofisticação!). O contrário também acontece em relação a palavras negativas ou desagradáveis. Haverá pessoas que as absorverão e também haverá pessoas para as quais palavras serão apenas palavras, sem absorverem delas conteúdo algum. 
De qualquer maneira, independente de como reagirá o receptor, as palavras imbuídas de sentimentos carregam consigo a vibração destes sentimentos. Se forem transmitidas de forma pública, cada um reagirá segundo seu grau de empatia e sua forma de interpretá-las. Ao emiti-las, é como se o emissor colocasse nelas um pouco de si. 
Trazendo esse entendimento para nossos dias, considerando o momento difícil que vivemos, quando o individualismo, egoísmo, intolerância, tanta falta de empatia e até impaciência para cultivar verdadeiramente as amizades predominam na vida social, percebemos que as palavras podem muito nos ajudar! Através delas podemos transmutar a dor que há em nós e que deriva da percepção dessas mazelas sociais. Ao expressarmos nossas angústias pelas palavras, parece que o peso torna-se mais leve e a dor menos ferina. E, se substituirmos um pouco deste peso por sentimentos de gratidão à vida pelas condições abençoadas que possuímos nos mais variados aspectos, as palavras pouco a pouco farão com que nós, enquanto emissários, nos fortaleçamos e, ao mesmo tempo, poderão também iluminar a vida de muitos que se identifiquem com nossa mensagem. 
Nunca o olhar mais complacente para com a vida se fez tão urgente como hoje, quando vivemos uma pandemia por conta de um vírus. Nunca se fez tão necessário observar a vida de forma mais analítica para conseguirmos captar um sentido maior de tudo. O frear brusco da vida frenética fez destacar a importância de coisas simples, porém essenciais, como o ato de respirar fundo e a beleza da natureza, além de abrir espaço para o resplandecer de uma gratidão mais plena por tudo que antes não recebia de nós maior atenção. E as palavras são o registro desse momento, dessas novas sensações, sentimentos e reflexões. 
As palavras poderão ser o toque que alguém precisa para não sucumbir a tantas mudanças e tormentas, ser o barco que salva quem as emite de um afogamento solitário em suas dores e ser também um farol a distribuir feixes de gratidão e amor pela vida, iluminando as rotas escuras de muitos que por elas passem. Mas, não podemos nos esquecer: desde que tenhamos empatia para absorvê-las. Caso contrário, serão apenas palavras.

Luciana G. Rugani

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CIDADANIA NOS DIAS ATUAIS

Cidadania é um termo cujo significado encontra-se em constante evolução, sendo modificado e ampliado através da história. Já esteve ligado somente ao exercício de direitos e deveres políticos, mas hoje, devido à evolução das relações sociais, possui um alcance muito maior que envolve também a questão da participação dos membros da sociedade em prol do bem comum. Há alguns anos atrás, os meios de participação social eram restritos, e daí também o conceito de que cidadão era aquele sujeito detentor do direito de voto. A nossa atual constituição federal trouxe enorme contribuição para a ampliação da noção de cidadania, através da instituição de diversos instrumentos de participação popular. Foi um grande passo, e por isso é chamada de “constituição cidadã”. A partir daí, algumas questões onde o abuso era mais evidente ganharam destaque e contribuíram ainda mais para a evolução da cidadania, como é o caso das questões de proteção aos direitos do consumidor e do agigantamento dos

DEMOLIÇÃO DOS QUIOSQUES NA PRAIA DAS CONCHAS E ILHA DO JAPONÊS

Na sexta-feira passada (15), aconteceu a demolição de quiosques na Praia das Conchas e na Ilha do Japonês por fiscais do INEA. Incrível a forma autoritária como as coisas acontecem hoje! Parece que o desrespeito e a força têm sido os principais instrumentos para atingir os objetivos! A questão ali estava sub judice , não havia ainda sentença determinando a demolição, como podem ver abaixo na tramitação do processo. E ainda, a forma como foram feitas as demolições revela total despreparo. Não respeitaram os carrinhos de ambulantes ali guardados, destruíram TUDO, quebraram vidros sem o menor cuidado e preocupação, deixando os pedaços espalhados pela areia da praia, agredindo aquele ambiente natural. Muito triste ver como tornou-se comum resolver as coisas "na marra". Falta total de respeito com anos de trabalho, afinal os quiosques pertenciam a trabalhadores e foram demolidos sem decisão judicial para tal. Seria muito bom saber o que a prefeitura tem a dizer sobre esse triste,

TEXTO EXCELENTE SOBRE RESILIÊNCIA

Como se forma um gênio como o escultor Auguste Rodin?   por Regis Mesquita   Blog www.psicologiaracional.com.br Em 1840 nasceu um gênio chamado Auguste Rodin? Não, ele se tornou um gênio , nasceu com potencialidades, vocações e plano de vida. A sua genialidade foi o fruto final de um longo processo de estudos, tentativas, erros, treinamentos, aprimoramentos, fracassos. Para cada obra bem feita, ele deve ter tido pelo menos uns 400 fracassos. Olhando pelo lado da proporção, o genial Rodin foi um fracassado. O pior vem agora: para cada obra Genial, para cada "obra prima", ele deve ter tido pelo menos uns mil fracassos (obviamente, estes números são projeções minhas). Rodin era pobre, foi rejeitado três vezes ao tentar entrar em escolas de artes. Mas, ele tinha uma arma infalível: ele brincava com a arte. Em nossa sociedade nós dizemos: "isto não é brincadeira, vamos fazer as coisas com seriedade. Se seguisse este preceito, Rodin teria si