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REVISTA DIGITAL ALDEIA MAGAZINE: AS TURBULÊNCIAS DA ATUALIDADE E SUAS CONSEQUÊNCIAS NAS RELAÇÕES

Saiu hoje a edição 21, mês de setembro, da Revista Digital Aldeia Magazine, com minha coluna "Cantinho das Ideias", na página 98 (clique no nome da revista para ler a edição completa).
Nesta edição, compartilho com vocês uma reflexão que fiz sobre as turbulências dos dias atuais e as consequências desse panorama em nossas relações. 
Aos queridos leitores,

vivemos um tempo turbulento, de dificuldades, mas, ao mesmo tempo, de revelações. Nunca tudo esteve tão claro, tão à mostra. E isso exige de nós ainda mais tolerância e compreensão com as divergências.
Hoje compartilho com vocês um pouco sobre mim e sobre minha vivência em meio a esse turbilhão de coisas, para que minha experiência possa servir de reflexão.
Sempre fui uma pessoa de posicionamento. A pusilanimidade nunca foi meu forte. Tenho meus valores, minhas opções, e os amigos que conquistei me conheceram assim. Acontece que toda essa poeira no ar de nosso país, esse clima de disputas e divergências, infelizmente impregnou muitas mentes incautas. Ou melhor, talvez não seja uma influenciação, mas sim uma revelação! Neste tempo de tantas divergências, percebemos que o caráter de muitos se revela. Talvez a tão anunciada mensagem apocalíptica de separação entre joio e trigo seja o melhor cenário para caracterizar os tempos atuais.
Meus caros, um conselho que dou: nunca permitam que suas preferências pessoais destruam tudo aquilo que for verdadeiro em suas vidas. Ao mesmo tempo, nunca abram mão de seus valores em prol de supostas amizades. Por que digo isso: todo sentimento positivo real pressupõe respeito às individualidades. Eu tenho amigos de várias correntes de pensamento, muitos divergem radicalmente de meus valores e de minhas ideias. Mas nós nos respeitamos. Naturalmente, a amizade permanece. Quando alguém condiciona uma amizade à mudança de postura, a ideias e posicionamentos, é porque, de fato, a relação é mais de domínio e manipulação do que de compartilhamento. Uma relação entre amigos verdadeiros deve ser de compartilhamento, inclusive de diferenças. Deve ser construtiva, de igual para igual, sem predomínio do querer de um sobre o querer do outro. A vida muito nos tem ensinado sobre ler as entrelinhas por meio das atitudes. Muito aprendemos sobre alguém ao observá-lo. É gratificante demais saber que somos respeitados e amados verdadeiramente por pessoas com as quais podemos ser quem somos, sem máscaras, sem bajulamento e sem atitudes falsas. E podem ter certeza, crescemos com isso! Crescemos e amadurecemos ao perceber quando alguém quer de nós apenas um controle, crescemos e amadurecemos quando aprendemos a distinguir entre os que conhecem a alegria e completude de um encontro de almas amigas e os que, infelizmente, só conhecem a utilidade e a capa reluzente com conteúdo pobre de muitas relações.
Eu hoje sou uma pessoa muito grata por saber que do meu lado ficaram aquelas que sempre me aceitaram como sou, que nunca deram um tempo em nossas relações pelo fato de eu ter ideias diferentes delas. Sou grata por saber que permaneceram aquelas que prezam o diálogo, e que sabem que, mesmo pensando em sentidos diferentes, seguiremos apoiando-nos ombro a ombro nessa caminhada pela vida.
Amigos leitores, a pandemia veio nos alertar, de forma mais contundente, para a realidade da brevidade da vida. Estamos aqui em uma breve passagem e levaremos dela somente o que for verdadeiro em nossos corações. Vivam o tempo de vocês por aqui, sem desprezarem os que lhes querem bem de verdade, sem condicionar a amizade de vocês a mudanças de comportamento para A ou B. Nunca deem um tempo em suas relações verdadeiras, ao contrário, vivam esse tempo! Valorizem esse tempo em meio à transitoriedade da vida. Nunca se percam de si mesmos, nunca se afastem de sua essência, muitas vezes esquecida e bloqueada pela falsa sensação de segurança ou por questões meramente formais. O que é real sempre permanece, não se esqueçam disso. Se foi embora, ou se utilizou o tempo como uma desculpa para esconder a real intenção de afastamento, é porque não era real, mas sim, apenas circunstancial.
“A perfeita Amizade é a que subsiste entre aqueles que são bons (virtuosos) e cuja similaridade consiste na bondade, pois esses desejam o bem do outro de maneira semelhante, na medida em que são bons. E são especialmente amigos aqueles que desejam o bem sem qualquer outro interesse, porque assim se sentem em relação a eles e não por uma mera questão de circunstâncias. De modo que a Amizade entre esses homens permanece enquanto eles são bons e a bondade traz em si um princípio de permanência” - Aristóteles, filósofo grego.

Luciana G. Rugani

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