Pular para o conteúdo principal

HOMENAGEM A UM VITORIOSO

Hoje, no Blog do Totonho, o artigo que fiz com esclarecimentos sobre o grandioso desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula. O enredo foi “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”:


Os enredos das escolas de samba costumam girar em torno de temas relevantes de nossa história e cultura, e também em torno de personalidades. Homenagens também são muito frequentes, seja a pessoas que já partiram como também a pessoas que seguem entre nós. E algumas homenagens costumam gerar polêmicas, principalmente quando se trata de nomes ligados à política. Aliás, permitam-me um parênteses, não somente em relação a homenagens, mas tudo que se refere a políticos acaba gerando alguma controvérsia.
No carnaval deste ano, a escola de samba Acadêmicos de Niterói resolveu homenagear o presidente Lula na Sapucaí. Recém chegada ao grupo especial, a escola abriu os desfiles na noite de domingo, a primeira noite dos desfiles cariocas, e caprichou na organização. Com um samba-enredo contagiante, um ritmo de bateria que nos impulsiona a sambar e uma letra marcante, a história de Lula foi contada desde os tempos de criança em Garanhuns até os dias atuais, juntamente com lances de nossa história e da cultura do agreste nordestino de Pernambuco. O desfile não teve nenhuma conotação eleitoral, foi apenas uma homenagem, muito bem feita, a uma personalidade pública, assim como foi também a segunda escola a desfilar, a Imperatriz Leopoldinense, que homenageou o cantor Ney Matogrosso. Mas, como eu disse antes, tudo que envolve políticos gera controvérsia, a começar pela oposição, que logo se manifestou dizendo que o desfile configuraria campanha antecipada e teria sido organizado com recursos públicos. É importante esclarecer esses dois pontos.
Em relação a configurar campanha antecipada, o debate começou até bem antes da entrada da escola na Sapucaí. E os juristas, inclusive dos tribunais superiores, deixaram bem claro que poderia haver o risco de ilícito eleitoral caso houvesse alguma atitude que envolvesse pedido explícito de votos. Entretanto, isso não aconteceu. O desfile transcorreu normalmente, como eu disse acima. E essa foi também a opinião da grande maioria dos profissionais do Direito consultados após o desfile. A maioria concordou que não houve nada que remetesse ao processo eleitoral de 2026, muito menos qualquer atitude que configurasse pedido explícito de voto, e disseram que, certamente, como uma atitude típica de oposição para tentar penalizar o presidente, deverão ser propostas ações pelos adversários, mas que, de acordo com a lei, não darão em nada porque não ficou configurado nenhum ilícito eleitoral. Segundo os juristas, a Lei Federal nº 9.504/97, em seu art. 36-A, estabelece o pedido explícito de voto como condição para configuração de propaganda eleitoral antecipada. 
E, sobre a questão do recebimento de verba pública pela escola, é importante dizer que, segundo os mesmos especialistas, tradicionalmente e legalmente, o poder público investe no carnaval, pois o carnaval é um investimento, um negócil cultural, e isso em todas as esferas: nacional, estadual e municipal. A verba pública é encaminhada para a Liga das Escolas de Samba, e a liga é quem decide se o dinheiro será aplicado na organização do carnaval ou se será destinado diretamente às escolas. A liga decidiu repassar para as escolas, então todas recebem o mesmo valor. E ainda, caso a Acadêmicos de Niterói não recebesse nada, aí sim estaria configurado tratamento diferenciado, pois todas as escolas têm direito a esse repasse. 
O desfile certamente provocará ruídos por parte da oposição, mas, considerando que tudo se dará dentro do processo legal, serão apenas ruídos naturais e previsíveis.
E vale dizer: que mal há em homenagear em vida uma personalidade política, em ano eleitoral? Isso já aconteceu em outras ocasiões e com muitos outros políticos, inclusive com nomes apoiados pela direita que, agora, se posiciona contra a homenagem a Lula. Já houve homenagens de todos os tipos, seja em grandes eventos, como recebimentos de títulos, honrarias e medalhas, como também em redes sociais. E a norma sempre foi clara: o que não pode haver é qualquer atitude que configure pedido explícito de voto.
Para concluir, vale dizer que foi um desfile muito emocionante, pois a escola soube retratar, de maneira detalhada, em cada coreografia, em cada carro alegórico e em cada ala, a história como se fosse contada pela mãe deste que, gostem ou não, superou e venceu as maiores diversidades, com coragem e sem fugir dos desafios, e tornou-se o grande líder internacional que é nos dias atuais: Luiz Inácio Lula da Silva. 
E o carnaval, mais uma vez, cumpriu seu papel como festa popular, levando para a avenida alegria, história, cultura, homenagem e diversidade.

Luciana G. Rugani
Pensadora, escritora e poeta

Samba-Enredo 2026 - Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil
Autoria: Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr.

Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de Luiz, à luz de Garanhuns
Lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns
Me via nos olhares dos meus filhos
Assombrados e vazios com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um sol da pátria incessante
Pro destino retirante te levei Luiz Inácio
Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial

Vi a esperança crescer e o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir
Que pagaram o preço da raiva

Nós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva
Lute pra vencer, aceite se perder
Se o ideal valer, nunca desista
Não é digno fugir, nem tão pouco permitir
Leiloarem isso aqui a prazo, à vista
É... tem filho de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A fome tem pressa, Betinho dizia
É.. teu legado é espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Assim que se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia

Quanto custa a fome? quanto importa a vida?
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói o amor venceu o medo

Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!
 
Mulungu - árvore do agreste pernambucano

O texto abaixo foi postado pela escola de samba "Acadêmicos de Niterói" em seu perfil:

Introdução

Dentro de um regime democrático, a popularidade é movida por altos e baixos. Mas, ao contrário do pensamento estoico, nem toda vida política caminha para um final fracassado. E, atualmente, existe apenas um líder no planeta que pode reivindicar tal fama: Luiz Inácio da Silva – o ex-operário que voltou à presidência do Brasil para cumprir um terceiro mandato. Goste dele ou não, é preciso aceitar: Lula é o político mais bem-sucedido de seu tempo. A combinação de uma personalidade carismática com sensibilidade social são trunfos sublimes do homenageado da Acadêmicos de Niterói para o Carnaval 2026.

Sinopse

Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil
Pelo rádio, ouve-se Luiz Gonzaga. Apesar dos chiados, Gonzagão era tão presente quanto os sanfoneiros nas festas nordestinas.
“Não há, ó gente, ó não/Luar como esse do sertão”
No agreste pernambucano, dona Lindu e seus oito filhos viviam integrados à natureza. Um deles era Luiz Inácio da Silva, o Lula. Ele e seus irmãos gostavam de brincar no reflexo prateado da lua cheia naquele chão ressecado.
A vida por lá era dura. Mas medo mesmo a família Silva tinha era das coisas do outro mundo. O que os assombrava eram as histórias de alma penada: o Papa-figo, um velho horrendo que adorava comer o fígado dos pequenos que não se comportavam; os mortos que voltavam do além… A cobra que saía escondida à noite para sugar o leite da mulher que amamentava.
Era o mundo fantástico usado para explicar o inevitável, em um lugar onde a mortalidade infantil fazia parte da realidade. Mesmo mortos, esses bebês se mantinham vivos no sentimento dos vivos. “Era preciso lutar para sobreviver ou morrer lutando”. O fato é que Luiz Inácio cresceu no momento de maior pobreza que sua mãe conheceu. Sem o pai, que foi morar em São Paulo, a lida ficou muito pior.
A diversão misturava-se com a necessidade ao brincar com os bichos que apareciam no quintal. Calangos, coelhos, preás, beija-flores e até caramujos. Com seus estilingues, acertavam os animais para assá-los em espetinhos enfileirados. A paisagem do agreste era o parque de diversões daqueles meninos, e o “brinquedo” favorito de Lula era o pé de mulungu dos arredores de sua casa. Do alto dos seus galhos, o futuro presidente do Brasil vislumbrava os dias com esperança.
No ano de 1952, o sol castigou toda a Garanhuns. A seca devastou a lavoura. A fome não perdoou. A possibilidade de sair de Pernambuco e migrar para São Paulo se tornou real. A travessia seria longa, dura, incerta. Uma viagem sem garantias, ao Deus dará. Amontoaram as coisas numa trouxa, guardaram os retratos pendurados na parede, tiraram as imagens de Santa Luzia e São José de seus altares e foram… Foram treze dias e treze noites que pareciam intermináveis num pau de arara de tábuas de madeira. A estrada que os levou para a grande metrópole brasileira foi o primeiro caminho que Luiz Inácio percorreu para tornar-se “o cara” que o mundo conhece.
Para os retirantes, São Paulo era uma espécie de terra prometida, um lugar para ser luz, a luz no fim do túnel. Era… Lula não demorou para descobrir que ali nem todos são iguais debaixo do sol.
O operário Luiz Inácio da Silva tinha uma história muito parecida com a da maioria dos centenas de milhares de “companheiros”. Depois de uma infância impiedosa, Lula, segundo as próprias palavras, ganhou a “chave do paraíso”, quando recebeu o diploma do Senai. Torneiro mecânico de verdade, profissional de papel passado, sentiu-se um artista. Aquele que transforma um disforme bloco de aço em uma “obra de arte”. Aos olhos da família, dos amigos, dos vizinhos e, principalmente, das garotas, o macacão virou motivo de orgulho.
Nos anos de chumbo, virou motivo de perseguição.
Um dos alvos dos militares ao tomar o poder foi o movimento operário. Sob a alfange do AI-5, o marechal Costa e Silva determinou que os ditos “crimes contra a segurança nacional” fossem julgados pelos próprios militares. Uma forma de prevenir qualquer ousadia reivindicatória. Mesmo com a repressão violenta e, apesar da relutância inicial, Lula entrou para a luta sindical e tomou gosto por aquela agitação permanente. Essa trajetória foi elemento importante para Lula enfrentar a tragédia da viuvez e da morte de dona Lindu.
O sindicato adquiriu então características de um lar, de guardião sentinela dos direitos da “peãozada”. O objeto das preocupações era o da maioria da população do ABC: salário. Os últimos anos da década de 70 foram tão intensos que Lula só tinha tempo para comandar uma greve atrás da outra e idealizar um novo partido político no Brasil; algo que nunca existiu no país: uma união de trabalhadores.
A liderança política de Lula marcou definitivamente a história do Brasil. Eleito deputado constituinte e presidente da República, Luiz Inácio subiu ao Palácio do Planalto após receber mais de 52 milhões de votos. Alguns dirão que ele bancou o camaleão, disfarçando de verde e amarelo sua coloração essencialmente vermelha. A tática eleitoral deu certo e trouxe para seu eleitorado setores da população que antes o encaravam com temor e preconceito. A estrela brilhou e subiu! A esperança venceu o medo!
Desde onde veio e até onde chegou, Lula havia se comprometido a ajudar os mais necessitados. E assim o fez. O Estado promoveu uma distribuição de renda ampla, conseguindo a maior redução da pobreza na história brasileira. Alunos de famílias menos favorecidas, que nunca teriam a chance de ir além do Ensino Médio, puderam contar com bolsas para ingressar no Ensino Superior. A energia elétrica passou a chegar nos lugares mais longínquos. O país saiu do mapa mundial da fome.
A pirâmide social do Brasil mudou de cara.
Empregadas domésticas, porteiros e trabalhadores braçais, praticamente toda a “ralé”, começaram a adquirir bens de consumo – até então privilégio dos “instruídos”. Para boa parte da elite, tudo isso irritava profundamente: a “subida” de funcionários aparentava que eles estavam “descendo”. Por isso que o contar do tempo para um futuro melhor parou, forçadamente. Uma era de sombras, de incertezas, de retrocessos e desmontes voltou a atrasar o desenvolvimento social da nação.
Mas ainda que todas as flores tenham sido arrancadas, uma por uma, pétala por pétala, o tempo do replantio e da primavera sempre há de chegar. E a primavera já chegou.
Ideias não se aprisionam. Nem morrem. Servem para desmascarar o patriotismo antipatriótico dos que conspiram contra a pátria. O maior legado do lulismo será sempre o enfrentamento para um novo regime de políticas públicas voltadas ao trabalhador e à redução da pobreza.
Nada do que Lula fez, ele fez sozinho. Sua liderança nasceu, cresceu e se consolidou como expressão de um andar junto. Ele faz jus e orgulha sua herança materna. Para Dona Lindu e os filhos que sabiam muito pouco, quase nada, sobre o país onde moravam, as páginas da história do Brasil registram este fruto do seu ventre: Luiz Inácio Lula da Silva.
Hoje a alegria toma posse dessa Avenida de braços dados com a esperança…

Texto e pesquisa: Igor Ricardo Carnavalesco: Tiago Martins
Agradecimentos: Aydano André Motta, Fernando Morais (biógrafo), Nelson Breve e Ricardo Kotscho (ex-assessores), Frei Betto e Clara Ant (amigos de longa data).

Referências bibliográficas:
ANT, Clara. Quatro décadas com Lula: o poder de andar junto. Belo Horizonte: Autêntica, 2022. BETTO, Frei. Lula, um operário na presidência. São Paulo: Casa Amarela, 2002.
LULA. Luiz Inácio da Silva. A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam. São Paulo: Boitempo Editorial, 2019.
MORAIS, Fernando. Lula: biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. PARANÁ, Denise. Lula – o filho do Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2009.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

4ª EDIÇÃO DO BARALHARTE - DISCUSSÃO DE TEMAIS DA ATUALIDADE

Ontem, sábado, aconteceu a 4ª edição do BARALHARTE!  Trata-se de um encontro de debatedores sobre quatro temas atuais, representados pelos quatro naipes do baralho e por quatro regiões diferentes de nosso país. Cada debatedor leva um tema que será debatido pelos demais e também por convidados presentes. Os debatedores desta edição foram eu, Luciana, representando o estado do Rio de Janeiro, Gilvaldo Quinzeiro, representando o Maranhão e Amaro Poeta, representando Pernambuco. Fernanda Analu, representando Santa Catarina, em razão de um compromisso de última hora, não pôde participar. Mas contamos também com as convidadas Mirtzi Lima Ribeiro e Valéria Kataki e com os convidados Hairon Herbert, Julimar Silva, Ricardo Vianna Hoffmann e Tarciso Martins. Agradeço a Gilvaldo Quinzeiro pelo convite e pela oportunidade de participar de um encontro tão engrandecedor, oportunidade que temos para aprender muito sobre variados assuntos. Cliquem abaixo para assistir: Luciana G. Rugani

POEMA: DIREITOS HUMANOS

Direitos Humanos Humanos não parecem ser Os que a vida vivem a abater. Humanos não parecem ser Os que a liberdade insistem em tolher. Humanos não parecem ser Os que a equidade negam reconhecer. Vida, com dignidade, Liberdade, com respeitabilidade, Respeito à diversidade, Educação, com qualidade. Quesitos de uma sociedade Que reconhece a humanidade. Não há que ser humano direito Para um direito humano merecer. Ser perfeito não é o preceito  Basta apenas o ser! Será mera utopia Em meio à distopia? Direitos humanos, como há de ser Onde há mais desumano que humano ser? Luciana G. Rugani Acadêmica da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio - ALACAF e da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia - ALSPA  2/9/22

POEMA CIGANO

Navegando pela internet encontrei uma música cigana francesa simplesmente maravilhosa: "Parlez Moi D'elle", cantada por Ricão. Encontrei também um poema cigano encantador! Escolhi ambos para compor essa minha postagem que fica como uma singela homenagem ao povo cigano. Abaixo da foto segue o vídeo com a música e o poema logo abaixo. Assistam ao vídeo e leiam o poema. São maravilhosos! POEMA CIGANO Sou como o vento livre a voar. Sou como folha solta, a dançar no ar. Sou como uma nuvem que corre ligeira. Trago um doce fascínio em meu olhar. Sou como a brisa do mar, que chega bem de mansinho. Sou réstia de sol nascente, sou uma cigana andarilha. O mundo é a minha morada, faço dela minha alegria. A relva é a minha cama macia, meu aconchego ao luar. Acendo a luz das estrelas, salpico de lume o céu. Sou livre, leve e solta, meu caminho é o coração. Sou musica, sou canção, sou um violino à tocar. Sou como fogo na fogueira, sou labaredas inquietas. Sou alegre, sou festeira, trago...