Hoje, no Blog do Totonho, algumas reflexões sobre o universo, sobre cada instante de nossa vida e sobre o "degustar a vida":
Há certas verdades das quais costumamos nos esquecer, ou das quais pouco nos lembramos. E entre elas estão alguns postulados científicos dos quais eu mesma não costumo me lembrar. Hoje, dando uma rápida olhada nas redes sociais, passei por um vídeo no qual se dizia que nunca um mesmo lugar será o mesmo daí a um segundo. E, por consequência, nenhum momento seria idêntico ao outro, pois jamais a sua localização no tempo seria novamente alcançada por qualquer um de nós, humanos. E para embasar tais afirmações, lembrou que a galáxia em que vivemos viaja pelo universo a uma velocidade de algo em torno de 1,3 milhões de km/h, o sol viaja ao redor do centro da galáxia a uma velocidade de 828mil km/h e a Terra gira em torno de seu próprio eixo a uma velocidade em torno de 1.670 km/h. O movimento nunca parou, e, considerando todas essas condições, a Terra nunca volta ao mesmo ponto do universo e o lugar onde você estava em seu último aniversário, por exemplo, nunca mais retornará para você. Isso porque a Terra pode levar um ano para retornar ao ponto inicial da contagem de dias de sua órbita, mas o sol completa uma única órbita em cerca de 230 milhões de anos.
O constante movimento do universo é algo que conheço, sei que existem esses movimentos, porém quase nunca paro para refletir sobre eles dessa maneira. Costumo pensar, equivocadamente, que daqui a um ano estaremos novamente neste ponto do universo, às vezes lembro-me do movimento da Terra, porém quase nunca da órbita do sol e da própria galáxia.
Mesmo em nossos momentos de repouso, estamos em deslocamento a uma velocidade exorbitante, ainda que não nos seja possível perceber esse movimento. E esse constante movimentar do universo dá-se até mesmo no interior do nosso corpo, um eterno transformar.
Vejo esse movimento universal como uma porta que se abre para todas as demais indagações humanas. Como afirmar, por exemplo, que tudo se interrompe e acaba com a morte? Pois, se tudo se transforma a cada instante, e se o movimento é constante em todos os níveis, inclusive a níveis quânticos, como podemos afirmar que algo seja finito? Acredito que o movimento vital do universo prossiga, em todos os níveis, ainda que em outras dimensões ou formas, e nunca se estanque.
E, sobre a realidade de que cada momento da vida é exclusivamente único, até mesmo porque, se considerarmos o lapso de tempo de uma vida humana, nunca uma localização no tempo será idêntica a outra, essa verdade é como um chamado para aproveitar o momento. O latim "carpe diem", do poeta Horácio, do século I antes de Cristo, que significa "colha o dia", "aproveite o momento". Entretanto, o tal "aproveitar" comumente é confundido com fazer, sem pensar, qualquer coisa que se queira fazer. Contudo, se considerarmos a verdade de que cada momento é único e não retornará, mas também a verdade de que tudo é movimento e transformação, então acredito valer a pena fazer aquilo que se queira desde que resulte em algo melhor, ou seja, algo que seja harmônico com o conjunto. O tal "aproveitar o momento", nesse sentido, não corresponderia a atitudes que gerassem qualquer desarmonia, inclusive desarmonia interior. A meu ver, "aproveitar", nesse contexto, corresponderia a qualquer movimento ou atitude que trouxesse a certeza de que aquele segundo que acabou de passar foi bem vivido, precioso, trouxe paz para minha mente, saúde para meu corpo físico e harmonia para o conjunto.
Eu me lembrei da conhecida frase italiana "Nato per la scarpetta", uma expressão comum a todos que apreciam degustar um delicioso prato de massa com molho. Literalmente, seria "nascido para o sapatinho", mas a frase tornou-se um ditado que se refere ao pedaço de pão usado para limpar o resto de molho do prato. Então esse seria o sentido de "aproveitar" cada momento único como se fosse um saboroso resto de molho, cada dia da vida vivido e saboreado até a última gota. Degustar a vida, vivê-la plenamente a cada segundo, e com a certeza de que somos movimento na eternidade, portanto somos também construtores de cada segundo que teremos à frente.
Que possamos nos lembrar sempre dessa realidade da qual, costumeiramente, tanto nos esquecemos.
Luciana G. Rugani
Pensadora

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