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PROJETO DO PESQUISADOR JOSÉ CORREIA - ENCONTRO NA CAPELA DO CONVENTO

Encontro de estudiosos da cultura de Cabo Frio organizado pelo professor José CorreiaEncontro de estudiosos da cultura de Cabo Frio organizado pelo professor José Correia

Fotos: José Antônio

Ontem (28), na Capela de São Francisco da Penitência, em Cabo Frio (RJ), aconteceu mais um encontro, organizado pelo escritor, pesquisador e historiador, José Correia, de pessoas que se interessam por temas referentes a Cabo Frio e região.

O convidado desta edição foi o biólogo Marcelo Tardelli, membro do Projeto Orcas da Costa do Sol, Instituto Fauna e Flora do Brasil, e o tema foi "O encalhe do cachalote", que aconteceu nos últimos dias e mobilizou profissionais e turistas na Praia do Forte.

Marcelo fez uma palestra bastante esclarecedora, instrutiva e didática sobre o tema. Introduziu o assunto explicando sobre o pitoresco e perfeito sincronismo da circulação das correntes marítimas. Elas partem das regiões polares, sobem até Abrolhos, na Bahia, onde se chocam com uma barreira geológica e retornam no circuito passando por Arraial do Cabo (atingindo toda a nossa região, incluindo Cabo Frio e Búzios). As baleias seguem esse circuito para se reproduzirem, indo até Abrolhos. Na ida, cerca de 70% delas segue proxímo à costa, e cerca de 30% segue mais afastado da Costa. Na volta é o contrário, por isso o período de avistamento de maior quantidade de baleias em nossa região dá-se durante a ida das baleias para Abrolhos. Isso deve-se ao fato de que, com o decorrer dos anos, as baleias foram "aprendendo" que, durante o período de retorno, os predadores se fazem mais presentes em regiões próximas à costa. Todo o ciclo migratório das baleias dura cerca de 1 ano.

Marcelo explicou também sobre o fenômeno da ressurgência, que acontece aqui na região. A corrente do vento nordeste (que sopra do continente para o mar) empurra a água quente fazendo com que a água mais profunda e mais fria aflore à superfície. Isso ocorre no período de setembro/outubro até março, com pico em janeiro. Como a temperatura ambiente é mais alta, a temperatura da água fica mais fria. Essa água mais fria é riquíssima em nutrientes. Esse fenômeno ocorre apenas aqui na região. No restante do período (outono/inverno), a temperatura ambiente é mais fria e a temperatura da água é mais quente, e o vento que sopra é o sudoeste, que sopra do mar para o continente, empurra a água fria e permite que a água quente retorne à superfície.

Após essa introdução, Marcelo explicou detalhes sobre as espécies de baleias, golfinhos, e falou especificamente sobre a cachalote-pigmeu que encalhou aqui na região, nos últimos dias. Explicou sobre o sistema de sonar da espécie, que, talvez por estar com algum comprometimento, pode ter sido a causa do encalhe do animal. Disse que várias podem ter sido as causas da morte da cachalote, pois ela estava com hipoglicemia e alguns ferimentos na região do ventre, e afirmou que, quando um animal encalha, geralmente ele já está bem debilitado, com problema ou no sonar, ou em algum outro órgão interno. 

O encontro foi muito rico de informações e até mesmo detalhes técnicos sobre o tema. Uma verdadeira aula que muito nos tocou e nos fez refletir sobre o sincronismo que move a natureza e sobre a importância de todo o equilíbrio marinho, condição essencial para a manutenção da vida em nosso planeta.

Os encontros acontecem sempre na última terça-feira de cada mês, sempre no mesmo lugar, de 15:00 às 17:00, e aberto a todos que se interessem em conhecer mais sobre nossa Região dos Lagos.

Luciana G. Rugani

Comentários

  1. Parabéns para Zé Correia pela organização do encontro, pro expositor Marcelo e pela turma participativa.👏

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