O convidado desta edição foi o biólogo Marcelo Tardelli, membro do Projeto Orcas da Costa do Sol, Instituto Fauna e Flora do Brasil, e o tema foi "O encalhe do cachalote", que aconteceu nos últimos dias e mobilizou profissionais e turistas na Praia do Forte.
Marcelo fez uma palestra bastante esclarecedora, instrutiva e didática sobre o tema. Introduziu o assunto explicando sobre o pitoresco e perfeito sincronismo da circulação das correntes marítimas. Elas partem das regiões polares, sobem até Abrolhos, na Bahia, onde se chocam com uma barreira geológica e retornam no circuito passando por Arraial do Cabo (atingindo toda a nossa região, incluindo Cabo Frio e Búzios). As baleias seguem esse circuito para se reproduzirem, indo até Abrolhos. Na ida, cerca de 70% delas segue proxímo à costa, e cerca de 30% segue mais afastado da Costa. Na volta é o contrário, por isso o período de avistamento de maior quantidade de baleias em nossa região dá-se durante a ida das baleias para Abrolhos. Isso deve-se ao fato de que, com o decorrer dos anos, as baleias foram "aprendendo" que, durante o período de retorno, os predadores se fazem mais presentes em regiões próximas à costa. Todo o ciclo migratório das baleias dura cerca de 1 ano.
Marcelo explicou também sobre o fenômeno da ressurgência, que acontece aqui na região. A corrente do vento nordeste (que sopra do continente para o mar) empurra a água quente fazendo com que a água mais profunda e mais fria aflore à superfície. Isso ocorre no período de setembro/outubro até março, com pico em janeiro. Como a temperatura ambiente é mais alta, a temperatura da água fica mais fria. Essa água mais fria é riquíssima em nutrientes. Esse fenômeno ocorre apenas aqui na região. No restante do período (outono/inverno), a temperatura ambiente é mais fria e a temperatura da água é mais quente, e o vento que sopra é o sudoeste, que sopra do mar para o continente, empurra a água fria e permite que a água quente retorne à superfície.
Após essa introdução, Marcelo explicou detalhes sobre as espécies de baleias, golfinhos, e falou especificamente sobre a cachalote-pigmeu que encalhou aqui na região, nos últimos dias. Explicou sobre o sistema de sonar da espécie, que, talvez por estar com algum comprometimento, pode ter sido a causa do encalhe do animal. Disse que várias podem ter sido as causas da morte da cachalote, pois ela estava com hipoglicemia e alguns ferimentos na região do ventre, e afirmou que, quando um animal encalha, geralmente ele já está bem debilitado, com problema ou no sonar, ou em algum outro órgão interno.
O encontro foi muito rico de informações e até mesmo detalhes técnicos sobre o tema. Uma verdadeira aula que muito nos tocou e nos fez refletir sobre o sincronismo que move a natureza e sobre a importância de todo o equilíbrio marinho, condição essencial para a manutenção da vida em nosso planeta.
Os encontros acontecem sempre na última terça-feira de cada mês, sempre no mesmo lugar, de 15:00 às 17:00, e aberto a todos que se interessem em conhecer mais sobre nossa Região dos Lagos.
Luciana G. Rugani


Parabéns para Zé Correia pela organização do encontro, pro expositor Marcelo e pela turma participativa.👏
ResponderExcluir