Ao fazer este poema, quis registrar a importância do Canal do Itajuru em toda a história de vida de Cabo Frio, desde épocas antigas.
Há uma história muito interessante que aconteceu no Canal e que foi retratada pelas lentes do fotógrafo Motta, pai de Wolney Teixeira, o fotógrafo responsável pelos registros fotográficos de Cabo Frio antiga, e sobre a qual faço uma breve referência nos versos do poema.
Existe uma foto, tirada por Motta, de um tempo em que ainda não havia a Ponte Feliciano Sodré. Ele fotografa a balsa antiga, cheia de pessoas a pé e também montadas em cavalo, fato muito comum naquela época. Um homem jovem que está na foto é o cobrador da embarcação. Naquele momento, aquele cobrador, de nome Rodolfo Pacheco Sobrosa, e o fotógrafo Motta não se conheciam. O cobrador era casado e tinha uma filha. Essa filha é quem, no futuro, casou-se com Wolney Teixeira, filho do fotógrafo Motta. Do casamento de Wolney com essa filha do então jovem cobrador, que se chamava Maria da Conceição Sobrosa, nasceu Warley Sobrosa, que é quem detém essa foto e que nos relatou esse fato.
Motta era avô de Warley, por parte do pai Wolney. E Rodolfo era avô de Warley, por parte da mãe, Maria da Conceição.
Segue abaixo a foto de meu poema apresentado na exposição ALACAF Celebra Cabo Frio, no Palácio das Águias. A exposição está aberta e durará até o próximo dia 15:
Canal do Itajuru
Suas margens traçam histórias
Seu leito guarda travessias
A presença na foto antiga
Revela o amanhã em família
Itajuru, boca da pedra
A sorver gosto de mar
Herança forjada na alma
Da ancestralidade Tupinambá
Pirogas
Balsas
Marcas de antiga memória
Travessia de alto custo
Fez a ponte ser história
Escoou o ouro branco
Embalou idas e vindas
Despedidas e amores
E fragmentos de vida
Marco do encontro de mar
E laguna hipersalina
O entra e sai de marés
Busca a água aclarar
Leva o tempo
Acolhe memórias
Segue no eterno guardar
Do romance laguna e mar
Luciana G. Rugani

Comentários
Postar um comentário