Hoje, no Blog do Totonho, falo sobre o desafio que a escrita tem representado pra mim nos últimos tempos:
Nos tempos atuais, em que cada dia nos surpreende com acontecimentos reveladores da ilimitada maldade humana, a escrita tem sido um desafio para mim. A minha motivação na escrita sempre tem sido criar conteúdos capazes de agregar reflexões positivas, seja em prol de uma maior consciência social como também de um aprimoramento individual, e a pergunta que, primeiramente, faço, a mim mesma, ao escrever é "qual a mensagem principal que desejo transmitir com este texto?".
Acontece que, nos últimos meses, quando me proponho a escrever algo, tem sido difícil cumprir esse propósito ligado à minha motivação. Começo a escrever e, quando vejo, as duras constatações advindas da maturidade, que permite enxergar de maneira mais clara os tantos tresloucados fatos sociais que acometem o cotidiano, misturam-se à insatisfação e ao medo e fazem com que as palavras soem apenas como desabafo ou um texto realista pendendo ao pessimista, o que nada de construtivo acrescentaria ao leitor.
O desafio tem sido grande, pois a dificuldade de seguir alinhada ao quesito motivador prejudica a vontade e, para não inundar as telas com conteúdo realista-pessimista, acabo optando pelo silêncio e pela não-escrita. Não foram poucas as vezes em que o branco da tela me venceu e de mim afloraram apenas bocejos e mais bocejos. E, amigos leitores, biologicamente falando, seria a escrita com prisão de ventre. Aquilo que antes saía fácil, hoje tem sido um difícil e, às vezes, tortuoso trabalho.
Hoje, antes de escrever este artigo e em busca de inspiração, li um texto novo, saindo do forno, de autoria do meu querido Hairon. Ele escreveu sobre a importância de valorizarmos cada momento, cada instante de nossa vida. Esse texto foi o que me fez detectar o motivo que apontei no início de minha fala (ou um deles, não sei dizer se é apenas um) pelo qual a escrita tornou-se um desafio. A mensagem escrita por Hairon, repleta de verdade, soou para mim como um bater de um sino que tira o foco de nossa atenção da realidade concreta e nos leva à abstração da energia produzida pelo som. E me trouxe à lembrança um livro que li há alguns anos, e que seria bom reler: "Paz a cada passo", de Thich Nhat Hanh, em que o autor nos apresenta um verdadeiro guia para o exercício da "atenção plena".
Hairon fala sobre viver em equilíbrio com o meio, reconhecendo aquilo que possuímos e que nos rouba a vontade e a conexão com o instante presente como, por exemplo, o medo e a raiva, mas reconhecendo também os limites que não devemos exceder nesse sentir.
Essa fala me fez refletir no quanto a arte de viver torna-se complexa, e, ao mesmo tempo, simples, quando a lucidez vem à tona para lembrar que a atenção deve ser constante, pois, na atualidade, o que não falta são estímulos que exacerbam os medos, os receios e a desesperança. Escutar os sentimentos no agora, reconhecê-los, é o primeiro passo para aprender a valorizar o momento, selecionando, com mais lucidez, aquilo que fará bem cultivar. Tal como as plantas invasoras que espalham seus estolões subterrâneos e acabam por sufocar as plantas próximas, assim são os cordões da mente. Ao deixar livres os medos e a desesperança, eles acabarão por sufocar a vontade, a motivação para um melhor cultivo e até mesmo a inspiração para criar. Após reconhecê-los presentes, cabe impor-lhes a razão para limitá-los, como uma contenção racional, para, a partir daí, buscar aquilo que equilibra e que remete à leveza, e não ao lado sombrio, de ser um humano. Acredito, por tudo que concluí da leitura, que sejam esses os primeiros passos para o reposicionamento em um estado mais propício ao realinhamento motivacional. No entanto, fica a dúvida em relação à inspiração para o criar. Será mesmo que apenas o realinhamento motivacional promoverá minha inspiração? Bastará retomar o sentido primeiro do meu escrever, aquele que mencionei no início de minha fala? O que, de fato, a determinará por completo?
São perguntas que ficam, e que não sei responder agora. Quem sabe o tempo possa me trazer as respostas!
Luciana G. Rugani
Alguém que, um dia, ousou publicar

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