sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SOBRE O VOTO



É através do voto que escolhemos nossos representantes nos Poderes Executivo e Legislativo. Podemos compará-lo a uma procuração do cidadão para o representante, para que este aja e decida em defesa dos interesses públicos, visando assegurar àquele os serviços a que tem direito.
Nossa participação no processo eleitoral dá-se por meio do acompanhamento da história de cada candidato, de suas realizações, de seu comportamento à frente de cargos políticos durante todo o mandato e, por fim, temos a votação propriamente dita.  O momento do voto é o momento final da avaliação dos candidatos.
Quem vende o voto, além de estar praticando crime eleitoral podendo ser punido por isso, entrega completamente seus direitos nas mãos do candidato, torna-se refém de suas ações e omissões. Não entende que, em prol de um benefício a curto prazo e fugaz, abre mão de conquistas muito mais duradouras, conquistas estas pelas quais amanhã ele mesmo vai estar reivindicando, mas que, certamente, não será ouvido, não será respeitado em sua reclamação, pois não se fez respeitar. Em toda relação é fundamental que haja respeito, e não é diferente na relação cidadão-candidato.
Muitos argumentarão: “mas a carência é grande, as pessoas têm necessidades urgentes e o candidato chega oferecendo algo que no momento minimizará suas dores..” ora, é preciso entender que no Direito Público não existe essa questão de gratidão, não há que se falar em componente emocional nas questões relacionadas à administração pública. O que há são direitos e deveres. O voto é secreto, e o eleitor é livre para analisar a história e o perfil de cada um e escolher aquele que mais corresponda às necessidades da sociedade. Nada nem ninguém pode dirigir a sua vontade. O candidato que age assim está cometendo crime eleitoral, desrespeitando o eleitor através da tentativa de, por meio de sua dor, controlar sua vontade. O mesmo digo em relação a candidatos que, representantes de administração pública omissa, passam a realizar obras a toque de caixa, principalmente no último ano antes das eleições. É um verdadeiro atestado de incompetência administrativa assinado pelo próprio candidato, pois mostra que reconhece o descaso com que tratou a população durante todo o mandato e, com obras e serviços sem o mesmo cuidado e qualidade que teriam se fossem realizadas no prazo correto, tenta conquistar o voto dos eleitores. Mas, como eu disse, o voto é a etapa final de todo o processo de avaliação do candidato. O eleitor que se respeita, enquanto membro de uma sociedade de direitos e deveres, estará atento e saberá analisar a conduta deste candidato desde os primeiros dias do mandato que termina.
Por fim, estejamos de olhos abertos, atentos, para que possamos fazer uma análise objetiva, prática, de cada candidato, pois não faltarão aqueles que tentarão manipular a emoção dos eleitores.  Mais uma vez, repito: o componente emocional não deve fazer parte de questões que envolvem a administração pública, esta tem sua ação delimitada pela lei, e assim será em qualquer futura administração.

Luciana G. Rugani 
       


Um comentário:

  1. O poder do voto que possuímos e por uma situação cômoda o vendemos a um candidato despreparado, é comparado ao médico que vamos consultar e dizemos: "Dr. a minha vida está em suas mãos". Será que eu serei neste momento uma pessoa confiável, ou estarei agindo tão despreparadamente quanto este que me propõe a compra do meu precioso voto?

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